Posts antigos – Os Sóis da América no Blogger

Oi.

Aqui você encontra todo o material do antigo blogue “Os Sóis da América“, que ficava no endereço http://www.soisdaamerica.blogspot.com.br. O material foi editado e está em ordem cornológica. Também deixei apenas os posts “interessantes”. Siga-nos. A gente tem muito o que conversar.


 

21/12/2012

Bem, o projeto já está em andamento, dando seus primeiros passos. Já o revisei várias vezes, já mexi muito no texto, e já o dei por terminado tantas vezes, quantas eu mexi no texto.

Como este blogue pode servir de portulano para os autores que estão buscando uma edição independente para seus livros, vou deixar aqui algumas dicas, na esperança de ajudar.

Então, o primeiro de todos os passos: uma vez dado o texto como terminado, o inscrevi na Biblioteca Nacional. Assim, os volumes da narrativa estão inscritos da seguinte maneira:

Certificado de Registro ou Averbação

 Os Sóis da América – O Nalladigua

Nº de Registro: 482.506   Livro: 910    folha: 439

 Os Sóis da América – A Flauta Condor

Nº de Registro: 482.500   Livro: 910    folha: 433

 Os Sóis da América – O Coração de Jade

Nº de Registro: 482.501   Livro: 910    folha: 434

 Os Sóis da América – A Pedra da História

Nº de Registro: 482.499   Livro: 910    folha: 432

Depois disso, o enviei para a Editora Rocco, por ser a principal editora brasileira de séries de livros considerados “grandes”, para os leitores pré adolescentes. Também por ser uma editora voltada para a publicação de livros de Fantasia. Mas o projeto foi recusado. Conversei com outro editor, de uma editora de alcance nacional, e desta vez tive, pelo menos, uma resposta honesta: a série dificilmente seria editada por ser uma série e pelos livros serem mais extensos do que o habitual.

Ainda não queimei todos os cartuchos mas, a partir de agora, a ideia é editar o livro independentemente, justamente pelas razões expostas pelo editor. Creio que será muito difícil conseguir uma mesma editora que se interesse pelo projeto. Talvez eu conseguisse uma para cada livro, mas está totalmente fora de cogitação: cada editora daria ao “seu” volume um desing próprio e a distribuição, venda e negociação não seria a mesma.

Então, o passo seguinte foi encontrar um corretor. Procurei Saint-Clair Stockler, que é escritor com diversos contos publicados em antologias e na web, além de ser Mestre em literatura brasileira, tradutor e pesquisador de literaturas do imaginário. Saint-Clair já tinha feito a correção de Contos do Sul, para mim e eu gosto do trabalho dele.

O passo seguinte será fechar com o ilustrador. Em janeiro, tenho uma reunião com uma jovem e talentosa desenhista, vamos ver se o projeto fecha.

Quando surgirem novidades, voltarei à escrever. Até lá, deixo vocês com uma ideia do que poderia ser Pelume, o protagonista de Os Sóis da América, feita através de um site italiano. Até a próxima!

27/12/2013

Fecho a primeira semana com a boa notícia de que a ilustradora se mostrou bastante animada com o projeto. Na segunda-feira, definiremos os detalhes como capaz, etc.

Estive revendo alguns trechos do primeiro livro e, como de costume, fiquei de cabelos em pé. Não, o texto ainda não está como deveria estar. Há várias cosias que eu gostaria/deveira mudar, mas, agora, já foi para o revisor…

Sugestão de quem já passou por isso outras vezes: muita calma nessa hora.

O texto dificilmente ficará como a gente quer. No momento em que o damos por terminado, pode parecer que sim, mas passados alguns meses, tudo muda. É a sina da gente: escrever, reescrever, escrever, reescrever.

Ler trechos isolados do texto (sobre tudo aqueles que são “menos interessantes” mas necessários para o bom andamento da história) é importante. Mas devemos respeitar, também, o fato de que aquele trecho é parte de um todo que possui um ritmo. De nada vale reformar dois ou três parágrafos e depois ao reler o trecho reformado dentro do andamento do original, descobrir que ele ficou completamente deslocado do restante da linguagem. Em “Os Sóis da América“, sobretudo no primeiro volume “O Nalladigua“, acontecem muitas coisas e Pelume precisa se deslocar por um bom espaço, não apenas geográfico, mas, sobretudo, narrativo: é nesse primeiro volume que ele irá encontrar importante aliados, conhecer seu inimigo, descobrir novas coisas sobre algumas que ele acreditava ser velhas conhecidas. Meu predileto, ainda é o último volume. Neste primeiro, o garoto é um ingênuo completo, totalmente ofuscado pelo mundo que está descobrindo.

Então, os dois textos não podem ter o mesmo peso. Não podem ter o mesmo andamento.

O que não me impedirá de mexer nele, é claro. Mas, desta vez, vou esperar o corretor devolver o texto. Ele é a voz dissonante que questionará termos, pontuação e ideias. A importante voz dissonante.

Então, como pelas coisas a gente deve ter paciência e aguardar, vou esperar por ele antes de fazer qualquer modificação. E qualquer modificação deverá ser feita com muita parcimônia. Com muito cuidado.

Voltando à ilustradora, o nome dela é Fabiana Boff. É uma jovem artista plástica, estudante de arquitetura. Creio que será muito bom trabalhar com ela. Estou na expectativa.

Segunda-feira, se Deus quiser, fotos! Mas os rascunhos terão de esperar um pouco mais.

 

04/01/2013

Pois aí está: eu sempre quis escrever uma história onde pudesse colocar em cena o mapa da ação. E em “Os Sóis da América” dá para fazer isso!

 

Olhando ao lado, é claro, você já reconheceu o Continente Americano. Todo ele, de sul à norte. Contudo, não se engane: a história não irá reproduzir, exatamente, a geografia do nosso continente. Algumas coisas irão aparecer: a Terra do Fogo (é lá que a história começa, afinal de contas), o rio Uruguai, próximo à foz, Colônia do Sacramento, o Iguaçú, e posteriormente, Tiahuanaco, a cachoeira do Salto del Angel, o Popocatepetl, o Grand Canyon… mas nem sempre esses lugares maravilhosos serão chamados pelos nomes conhecidos. E nem sempre eles estarão exatamente no lugar do nosso mapa. Afinal de contas, essa é uma história de fantasia, não é mesmo?

A medida em que a narrativa for se tornando realidade, muitas coisas acontecerão aqui no blog. O mapa será completado à cada etapa, e disponibilizarei uma lista dos personagens folclóricos, para que os leitores que não os conhecem possam ter uma ideia de quem eles são no imaginário popular.

Prepare-se. Você vai descobrir uma América que nem sonhava exisitr.

 E isso é apenas a ponta do iceberg!
08/01/2013

A reunião de segunda-feira foi muito boa. A Fabiana Girotto Boff, uma super-jovem artista plástica que tive a felicidade de conhecer como aluna da Doris Dick (que, por acaso, é minha mãe). A Fabi e eu compartilhamos muitos interesses: mangás, animés, artes plásticas, filmes, música, Tai-Chi-Chuan, Cultura.

A Fabi saiu daqui muito animada, cheia de planos. É o primeiro trabalho dela e estamos empenhadas em fazer o melhor que for possível. O próximo passo é ir à fundo nos primeiros desenhos, e definir o espaço que teremos à disposição para realizá-los.

Fico muito feliz em poder dividir este trabalho com ela. A proximidade e a vontade de fazer nos permitirá, eu espero, compartilhar as realizações e os frutos.

Bem vinda aos Sóis da América, Fabi!

10/01/2013

Bem, vamos trabalhando, que divulgar o trabalho faz parte do espetáculo. Se bem que, normalmente, a gente deve divulgar o trabalho depois de pronto, para não correr o risco de fazer como Simões Lopes Neto, que mais de uma vez divulgou a publicação de um livro que não chegou a acontecer. Aliás, sobre Simões Lopes Neto, falaremos em um post futuro, bem como os 30 anos de carreira desta que vos escreve.

Em todo o caso, aqui está a matéria do Jornal NH deste 10 de janeiro de 2013. Estou muito contente com ela. Na semana que vem, teremos uma matéria para a TV Feevale.

E vamo que vamo!

17/01/2013

Normalmente, entre umas coisas e outras, na produção de um livro, haverá semanas como esta, em que não acontece muita coisa. É bem verdade que eu enviei alguns releases para a mídia mais próxima, informando da criação do blog e do projeto, e isso deu resultado: não apenas uma boa matéria de meia página no Jornal NH, como uma entrevista que a TV Feevale veio fazer aqui em casa. Proximamente, colocarei o link aqui, para que você possa vê-la, caso não tiver acesso à notícia.

Mas na prática, na “feitura” do livro, esta semana não aconteceu nada, por aqui.

A correção está sendo feita, eu espero, e as ilustrações estão bem encaminhadas, no mínimo, pelo que sei.

Porém, nenhum dos dois materiais chegou até mim, ainda.

Vou ficando ansiosa, mas sou ansiosa, mesmo. E em todo o caso, já tenho uma ideia da pré-diagramação.

Por falar nisso, o correto mesmo é a gente contratar alguém para diagramar o material. Diagramação, você sabe o que é, não? É organizar o texto, as ilustrações e o que mais houver, nas páginas de uma publicação. Eu não sou uma expert no assunto, mas já trabalhei em jornal e também fiz a diagramação dos meus independentes. É um trabalho minucioso que exige muita atenção e paciência. A gente precisa levar o tempo para fazê-lo, coisa que eu nem sempre faço. Mas minhas diagramações, ainda que não irão ganhar nenhum prêmio, não são tão ruins assim. São “direitinhas” e se deixam ler. Então, para poupar dinheiro, eu mesma faço.

Desta vez estou usando um programa que se baixa gratuitamente na rede para isso: o BrOffice. À princípio eu o baixei, porque corrigia os textos de acordo com a nova reforma ortográfica. Mas eu o encontro excelente para este trabalho, com muitas possibilidades, inclusive a de transposição do trabalho final para o formato PDF, o que, neste caso, será necessário.

Então, diante do quadro, o que fazer para ganhar tempo?

Como já fiz muitas publicações com a gráfica que irá finalizar o trabalho, posso solicitar um pré-orçamento, para poder ter tempo para discutir com o pessoal papel, tipo de capa, etc. Isso já vai dando uma ideia de custo-benefício. Já aprendi dos outros livros, que a primeira edição serve, no máximo dos máximos, pagar algumas contas. Quando o livro consegue pagar a si mesmo com a venda da primeira edição, eu me dou por muito satisfeita.

Muito bem: vou escrever para a gráfica. Ajuda a diminuir a ansiedade e acaba com aquele impressão de que não estou fazendo nada. Abraços e até a próxima.

 

19/01/2013

Não, não se assuste, caro leitor. Não é nada disso que você está pensando. Eu posso explicar.

O caso é que fui trabalhar as imagens para “O Nalladigua” no Photoshop.

Meu Deus do céu… deve haver alguma coisa mais simples da gente entender no mundo!

Na boa: apanhei de cinco a zero do programa. O que eu conseguia fazer em uma imagem, não conseguia reproduzir na outra. Uma dificuldade imensa! Eu simplesmente não entendo a forma do Photoshop, é como se ele falasse em inglês o tempo todo. Foi muito difícil.

Mas, enfim, migrei de volta ao Corel, na esperança de que seja possível a utilização das imagens geradas por ele na montagem do texto (no começo do mês reinstalei o programa, mas ele ainda apresenta uns problemas estranhos). E utilizei os bitmaps no formato de 8 tons de cinza, para poder mexer nas imagens.

Você estava pensando outra coisa, que eu sei…

Enfim, agora, vamos ver se dá para montar as páginas… Torçam por mim.

Dica da semana: se você for fazer um livro com ilustrações, contrate alguém para tratar as imagens, mesmo que seja você mesmo a fazer a diagramação final. Sapateiro, aos seus sapatos e não outra coisa.

 

23/01/2013

Ontem tive uma reunião com a Fabiana, a ilustradora de “Os Sóis da América“, para mostrar como ficou o primeiro boneco do livro. Se você não sabe o que é “boneco”, eu explico: é uma cópia simples do livro já pré-diagramado. O bom do boneco, o que eu realmente adoro, é que dá para rabiscá-lo. Flechas indicando que o desenho pode ser arrastado, expandindo, anotações nas margens, correções, eu adoro ficar rabiscando eles. Aliás, mil vezes rabiscar o boneco de um livro, do que montá-lo.

Enfim!

A reunião foi muito boa, a Fabiana aprovou a maioria das ilustrações e discutimos algumas outras. Agora ela já está mexendo na capa.

Ah, sim, também passei para ela algumas dica do Maurício Veneza, o ilustrador de “A Estrela de Iemanjá” livro editado pela Cortez. Gosto muito do Maurício, porque além do talento, o cara tem uma baita experiência e está sempre disposto a trocar uma palavra com a gente. Valeu, Maurício!

Por enquanto é isso. Trabalho, reunião, troca de e-mail e um pouco mais de trabalho. Porque, não sei se já tinha comentado, a ideia é produzir as ilustrações de “A Flauta Condor” o segundo volume da saga, ainda antes do início das aulas da Fabi.

Torçamos os dedos. O projeto vai de vento em popa, como eu gosto. Sobra menos tempo para trabalhar e escrever os contos para as antologias das quais quero participar mas… paciência. Só posso adiantar uma coisa com certeza, para vocês:

Vai ficar lindo!

 

24/01/2013

Preparando a documentação para enviar para o ISBN. O momento mais tenso do processo.

Mas necessário.

Invista no ISBN. Não pense que não faz diferença. Faz. Para ser aceito em muitas livrarias, um livro independente tem que ter todas as características de um livro vindo de uma editora, e o ISBN é o “CPF” do seu livro.

Desta vez vou, inclusive, investir em Código de Barras, coisa que até agora não tinha feito. Facilita o trabalho da livraria (de novo) e a classificação em bibliotecas.

Mas quando você for pedir o seu, através do site do ISBN (clique aqui), arme-se de paciência e sangue frio. O site gosta de travar e travar junto todas as janelas que você tiver ligadas na rede. Pelo menos aqui, é sempre assim.

O meu saldo, no momento é:  internet travada uma vez (apenas! Estou no lucro!) e a impressora emperrada na impressão das etiquetas do correio (você não precisa fazer isso, pode escrever o endereço à mão no envelope, tá?).

Depois que tiver feito o depósito e tirado a cópia do recibo, envio tudo para o escritório da Agência e fico no aguardo. Eu enviarei o material por Sedex, porque é do meu interesse que ele chegue logo. Se houver alguma coisa errada na documentação, a Agência me responderá via Correio Normal. Não sei porque não é utilizado o Correio Eletrônico. Poderia agilizar o processo.

Enfim, a vida é assim mesmo. Se estiver tudo direitinho, eu receberei o ISBN em três dias úteis (é o que está no site). Senão… já se verá.

 

02/02/2013

Caros amigos, desculpe a ausência, esta semana.

Não houve clima para comemorar, apesar de que muitas coisas aconteceram de positivo no andamento do livro. Aliás, apenas coisas positivas, nenhum entrave, como se verá mais adiante, o que é uma alegria imensa.

Mas uma alegria em silêncio. Os meus blogues ficaram sem atividade esta semana, justamente por causa da tragédia que se abateu sobre o estado onde vivo, espalhando uma tristeza imensa. Eu não tive nenhum envolvido na tragédia de Santa Maria, todas as pessoas que de alguma forma tem um elo comigo, através do parentesco com amigos, estão bem. Escrevi algo no blog da Porteira da Fantasia, você pode ler aqui, se quiser.

Mas, enfim, o mundo segue seu rodopio incessante, e vou recuperar aos poucos os acontecimentos. Obrigada por estarem aí e seguirem com a gente. Um abraço!

03/02/2013

Seguindo com as atualizações…

Na terça-feira chegou o que eu estava esperando, e não, ainda não era o ISBN: era arte da capa.

Está simplesmente linda!

A arte, quero dizer.

A capa, ainda tenho de finalizar, etc, etc.

Voltando à arte, ao vê-la fiquei mais do que satisfeita com a presença da Fabiana no projeto. Ficou muito bonita, com delicadeza e profundidade. O desafio é conseguir repassar tudo isso para a capa finalizada, já que, sendo uma produção independente, tem muitas coisas às quais eu não tenho acesso.

Um escaner A3, por exemplo… Eu posso mandar escanear, mas não tenho controle sobre a qualidade final.

Enfim, farei o que for possível.

Aguardem novidades, estou certa de que vocês vão adorar o Furufuhué, assim como eu!

 

05/02/2013

Há duas semanas, coloquei um post comentando o envio da documentação para pedir o ISBN. Além de comentar minhas desventuras com o processo, eu dizia que queria só ver quando o número de identificação da edição ia voltar.

Pois, só para dar nos dedos, chegou dois dias depois da documentação entrar no escritório, no Rio do Janeiro. Bem feito para mim, ponto para o ISBN.

Bom, esse é um “dar nos dedos” do qual não me importo. O número chegou na quinta-feira passada, bonitinho, com o código de barras, inclusive. Agora “O Nalladigua” já tem identificação oficial, o que é um alívio, porque esse é um entrave bem sério para a confecção do mesmo, já que muitas livrarias pedem o ISBN para comercializar o livro. Além disso, alguns programas de compra de livros e concursos exigem o número de identificação, sem o qual o livro é automaticamente descartado.

Agora, senhoras e senhores, o próximo passo é conseguir a Ficha Catalográfica, o que sempre é aconselhável, embora não seja obrigatória. Para isso, o ideal é procurar um bibliotecário. Lembrando que, na minha opinião, uma edição independente deve ser o mais profissional que for possível. A concorrência é grande e, muitas vezes, desleal, no sentido de que você é um só que estará competindo diretamente com empresas estruturadas, com equipes que fazem diferentes coisas. Sonhar é bom, e realizar dá trabalho – mas vale a pena.

08/02/2013

Bem, já estamos com os acontecimentos sincronizados: arte da capa, ISBN, etc e tal. Estou trabalhando a capa. Achei que já a tivesse finalizado mas foi uma autêntica ilusão. Entretanto, acho que agora a coisa está verdadeiramente encaminhada. Estou só esperando o “ok” da Fabiana (porque é ela quem tem de fazer isso) e aí eu começo a divulgar as primeiras imagens da mesma. Acho que ficou muito bonito, mas sou suspeita, afinal estou em cima dela há uma semana.

Mas não adianta ter pressa. É fevereiro. Carnaval. Todo mundo vai para a praia, parece, menos eu, que detesto multidão e confusão. O jeito é me armar de paciência, terminar de ler os livros que tenho começado, e tentar deixar feito o material para tentar um espaço em uma antologia de Ficção Científica. Ficou bem space ópera, o que me alegra bastante, já que faz tempo que eu não escrevo FC. Bom, nem tanto, “B9” está na livraria Clube de Autores desde 2011.

Bem, é isso. O que vier daqui pra frente, se Deus quiser, será colocado de imediato no blogue. Não deixe de nos visitar!

14/02/2013

Você sabia que dá um trabalho danado fazer a bendita da capa de um livro?

Eu sabia que dava algum trabalho. Mas a de “O Nalladigua” está me tirando do sério. Se eu fosse contar de fato, creio que já refiz a danada umas vinte vezes. Ou trinta.

Obviamente, se eu tivesse contratado um capista (que é o correto) para fazer o trabalho, não estaria resmungando mas… na real? Eu gosto de fazer a capa.

O que eu não gosto é de refazer a mesma coisa vinte vezes por causa dos programas.Como diz um amigo meu, “os computadores foram inventados para resolver problemas que não tínhamos antes quem inventassem os computadores”.

Enfim, como não tenho talento nem paciência para as artes gráficas, me resta o recurso dos programas de ilustração. Comecei com o Corel, deu problema, inventei de migrar para o Photoshop, deu mais problema ainda, tentei usar os dois… aí sim é que a coisa ficou feia. Aí voltei para o Corel, com o qual, ao menos, tenho alguma intimidade.

Enfim… a questão é que está dando muito trabalho. Mas acho que vai valer a pena.

Na dúvida – tantas dúvidas, tantas emoções – fui conversar com o Moris, da Echograf, a gráfica que fará a impressão final do livro. Ele me tirou várias dúvidas e me ajudou bastante.

Então, a dica da semana é: troque ideias com um amigo que entende do assunto.

E o mais bacana disso, é que você pode aplicar essa dica para todas as áreas da vida!

15/02/2013

Enfim! Depois de duas semanas de trabalho intenso, incontáveis cópias e muita quebradeira de cabeça, vontade de chutar o computador, maldições terríveis e olhos ardendo, finalmente, eis a capa! Hoje, a Fabi deu o “ok” final dela, e este é o “cartão de visitas” oficial do livro.

Óbvio está que se eu fosse técnica do assunto, teria sido tudo mais rápido, mais fácil e muito menos desgastante. Mas eu acho que valeu a experiência: como sempre, produzir um livro me ensina a valorizar mais o trabalho dos outros: os diagramadores, os corretores, os ilustradores. Se eu antes já tinha respeito por essa turma, podem acreditar que toda vez que eu toco um projeto independente, respeito ainda mais.

Bem, essa foi, para “Os Sóis da América“, a grande notícia da semana! E da próxima vez que alguém no Twitter comemorar que o seu livro já tem capa, mesmo que lhe pareça bobo, acredite: é uma alegria poder ver a dita cuja finalizada.

Um grande abraço e curtam muito a ilustração!

05/03/2013

Bããã, olha só!

Estava eu, sem me dar conta que o tempo corre, em pleno domingo, bate o telefone. Quem era? Fabiana, a minha (a sua, a nossa) desenhista para “Os Sóis da América“, perguntando sobre o segundo volume, pedindo o texto, o tamanho das ilustrações, as referências de imagem…

Coisa boa trabalhar com gente que se interessa, caramba! Dá um baita alento!

Então, para você, que acompanha o blogue, a boa notícia: a Fabi já está trabalhando em “A Flauta Condor“, o segundo volume de “Os Sóis da América“! Muitas coisas previstas: uma aventura no território Inca, com sabor de suspense e um final… ah, jura que você achou que eu ia contar?

Em breve, estaremos produzindo o segundo volume. Aguardem!!

07/03/2013

Ontem foi um dia muito legal. O projeto deu um passo à frente, porque recebi a ficha catalográfica de “O Nalladigua“, o que me permite finalizar a página de créditos do livro. Agora fica faltando só a correção do texto e depois… gráfica com ele!

Outra coisa muito legal que aconteceu, foi receber uma resposta da escola de Groenlândia para quem tinha mandado um e-mail… ops! Eu não contei? Pois é: semana passada, diante do “il dulce far niente“, vulgo “calmaria”, já citada em post anterior, resolvi entrar em contato com duas bibliotecas: uma em Ushuaia, a cidade mais ao sul do continente americano – afinal, a história de Pelume começa no extremo sul do continente. A outra na Groenlândia, ligada à Life on thin Ice, uma instituição ligada à ecologia do Polo Norte. Você pode acessar à pagina, clicando aqui.

E por que estou fazendo isso, você perguntará. Nenhum dos dois países fala o português. Aliás, o inglês está tão distante do nosso idioma, que não existe sequer uma compreensão possível, como existe em espanhol. Mas um livro existe, não precisa se explicar. Talvez um dia alguém que lê português encontre os livros e se surpreenda com eles e faça a pergunta inversa: como estes livros vieram parar aqui? Gosto de pensar que já não estarei por aqui para ver isso. Os livros terão adquirido vida própria.

Então, ontem, me respondeu Jenny E. Ross. Jenny é fotógrafa, escritora e locutora e você pode ver a página dela, clicando aqui (não deixe de visitá-la, há fotos lindas de ursos polares lá!). Ela não fala nem lê português, mas disse que vai ficar feliz em receber os livros. E eu me senti muito, muito feliz, de receber o e-mail dela. Assim que, antes de vir à público, o livro já está comprometido com os extremos do planeta: extremo geográfico e extremo do desafio: se seremos capazes de solucionar as mudanças climáticas que ajudamos a acelerar, antes que elas deem cabo da vida selvagem e de nós mesmos. De uma certa maneira, é como se Pelume e seus amigos criassem vida e fossem em busca da História de Acordar os Homens.

13/03/2013

Oba! Hoje pela manhã chegou o arquivo de “O Nalladigua” corrigido pelo Saint-Clair Stockler. Coitado, já vi que dei um trabalhão louco para ele!

Enfim, essa era a peça que faltava para o livro ser finalizado. Agora, toca a trabalhar, verificar vírgulas, pontos, crases (ai, ai), e tudo o mais. Comemorem comigo, amigos: falta um mês para o lançamento!

E não esqueçam que na sexta-feira habemus sorteio, com Papa ou sem ele!

Abraços!

18/03/2013

Pois bem, aqui estamos nós, com o material fechadinho para ir para a gráfica. Só não foi hoje, porque a pressa é realmente a inimiga da perfeição.

E está é a dica mais importante desta fase do trabalho de produção.

Parece que está tudo pronto, e a gente fica ansiosa demais para ver o livro impresso. Mas se você tiver pressa e achar que está tudo pronto e não passar uma última olhada, o mais provável é que depois que o livro estiver impresso a primeira coisa que você verá é um erro imenso na primeira página.

Portanto, cautela, paciência. Sangue frio.

No meu caso, aliei a cautela ao olho clínico de uma vizinha, a Léia Stein, que deu uma última olhada na diagramação e apontou uma série de detalhes. Porque, você sabe, o olho acostuma no erro e, no final, você não o vê mais. Um “muito obrigada” gigantesco à ela.

Mas, aí, tem o outro lado: se você não foi um pouco disciplinado, é fácil cair no outro extremo e achar que sempre há outra coisa mais para consertar.

Com certeza, há.

O que você tem que se convencer é que você é humano. Imperfeito. E o que você vai fazer pode chegar perto da perfeição, mas a dita cuja – ai, ai, – é muito escorregadia. Algum erro vai escapar em algum lugar. Erros na confecção de livro acontecem nas editoras profissionais. Você, que vai editar seu próprio livro, está muito mais sujeito ao erro do que uma equipe profissional. O que não significa que você não vai fazer o seu melhor, mas, sim, que o seu melhor estará muito mais sujeito a erros do que uma equipe profissional.

Mantenha a cabeça alta. Se você chegou até aqui, é porque, como mínimo, tem capacidade de resolver os muitos problemas e desafios que a produção envolveu.

Enfim, correção feita, diagramação revisada pela milésima vez, e uma azia de fundo nervoso na surdina. Falta gravar os arquivos em um CD, para enviar para a gráfica.

Fique frio.

Acredite.

Vai dar certo!

 

22/03/2013

Pois é… quarta-feira o livro foi, finalmente, para a gráfica. Agora, é esperar por cerca de duas semanas.

Brrr…

Hora da verdade é assim: bate um frio na barriga.

Mas, até agora, o responsável pela gráfica ainda não ligou, então, creio que dá para relaxar: deve estar tudo certinho, todas as ilustrações em seus lugares, a capa, tudo fechado medido e encaixado.

Espero. Como boa capricorniana, estou sempre esperando que alguma coisa dê errado. Não é pessimismo, é acreditar na Lei de Murphy, só isso.

Bom, enquanto os livros não chegam, vamos dando uma atualizada nas abas do blogue. No “Seres de Sonho e Pesadelo”, algumas palavras sobre o melhor amigo de Pelume, Nimbó. E no “Lugares de Sonho”, algumas palavras sobre a Colônia do Sacramento, onde Pelume ouvirá duas histórias de como apareceu o Sol, além de links para páginas de referência deste maravilhoso cenário para qualquer história, inclusiva a História real da América Latina.

 

07/04/2013

Chego em casa, cheia de gás, com um monte de ideias para por em prática, abro o Twitter e a vida me passa uma rasteira daquelas.

O nosso corretor de texto, Saint-Clair Stockler, faleceu hoje.

Quero me juntar aos seus muitos amigos que, agora mesmo, estão na rede lamentando a perda de uma das mais afiadas mentes da Literatura Fantástica brasileira (e aí incluo a Ficção Científica). Eu não conhecia o Saint-Clair pessoalmente, mas isso não importa. Estou triste de igual maneira. Estou triste pela palavra ferina, pelo comentário pertinente, pela maluquice diária que não estarão mais presentes na minha vida através das redes sociais. Estou triste pelo silêncio.

Pessoalmente, Saint-Clair foi um ótimo profissional com quem trabalhei. Ele tinha a capacidade de corrigir os textos sem se intrometer no trabalho do autor (acredite, nem todo o corretor de texto tem essa forma de trabalhar). Eu vou sentir falta dele. Tinha a esperança de contar com seu olho afiado em todo o projeto, e agora mesmo me arrependo profundamente de ter concordado em enviar para ele o texto de acordo com o que ia ser editado. Pelo menos ele ia saber o final da história. Ele estava curioso para saber como ela ia continuar.

Não sei onde você anda, cara, mas um beijo no coração, assim mesmo.

09/04/2013

Há apenas dois dias do lançamento, gostaria de deixar registrado aqui no blog, o imenso carinho com que todo mundo está tratando a saga Os Sóis da América, em particular, a equipe de Ex Libris, a livraria onde acontecerá o lançamento, em Novo Hamburgo. O pessoal da livraria, além de estar sempre disposto a bater um papo e aberto à novidades, está fazendo o possível para promover o livro.

Muito obrigada, pessoal, pela dedicação, pela atenção, pela simpatia e pelo carinho. Vocês já fazem parte dessa história!

 

10/04/2013

Ontem, depois de muita espera, finalmente chegaram os volumes da primeira edição de O Nalladigua! Foram quatro meses de trabalho, e eu espero, meus queridos amigos, que ele esteja à altura da expectativa de todos.

Aos que trabalharam no projeto o meu muito obrigada. O meu abraço apertado e caloroso, mesmo aos que já não estão entre nós fisicamente.

Aos que vem seguindo o desenrolar do projeto através do blog, obrigada por estarem aí. Em seguida teremos mais promoções, então, fiquem de olho.

Tudo pronto, então? Vamos lá. O show vai começar.

14/04/2013

Oi gente.

Nossa, que final de semana! Nem conto para vocês, foi uma correria só! Mas foi ótimo.

Meu “fim de semana” já começou na noite de quinta-feira, com o lançamento de O Nalladigua, na Ex Libris, em Hamburgo Velho. Foi muito legal, tivemos o comparecimento de muitos amigos, apesar de o jornal local não ter noticiado o lançamento (infelizmente). Mas a TV Feevale sim, noticiou, o que colocou o livro em pauta. Foi muito legal. Aqui estão algumas da imagens do evento, que irei atualizando ao longo da semana.

Com Gilberto Abraão, autor de “Mohamed, o Latoeiro”
Eu e minha mãe, Doris Dick

 

O Nalladigua
Hora do bate papo
Autógrafos
Fabiana Girotto Boff, ao centro, com seus convidados

Já na sexta-feira, o foco foi a 2ª Odisseia de Literatura Fantástica de Porto Alegre, um evento muito bacana, muito bem organizado e que este ano cresceu para receber escolas, no seu primeiro dia, e abrir oficialmente com uma palestra brilhante de Regina Zilberman, a quem aproveitei para tietar e pegar o meu autógrafo. A professora e mestre em Literatura escreveu vários livros que foram a minha orientação no início da minha carreira, então fiquei muito feliz em poder pegar o um autógrafo com ela e, é claro, deixar com ela um exemplar do lançamento.

Na mesa dos independentes

17/04/2013

Se você está querendo adquirir seu exemplar de O Nalladigua e não sabe como, aqui vão algumas dicas.

Em Novo Hamburgo, o livro já se encontra à venda na Ex Libris (você pode avaliar o livro, enquanto saboreia um chocolate quente, coisa que recomendo com muitas estrelinhas), na Letras&Cia, do Bourbon Shopping, e na Livraria Flama. Também temos alguns exemplares na La Bancarella, onde além de ler o livro, você também pode tomar um café delicioso e degustar uma tortinha de maçã aquecida (bom demais!).

Em Porto Alegre, o livro está à venda na Palavraria (e não esqueça de provar o mocaccino deles, é ótimo!).

Você também pode adquirir o livro via on-line, na www.porteiradafantasia.com. Vá até a aba “Livraria” da página, e adquira o livro através do sistema do PagSeguro. É rápido, moderno e através da página o seu livro chega em casa via correio e autografado!

22/04/2013

Hoje pela manhã chegou um Voto de Congratulações da Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, pelo lançamento de O Nalladigua! Estou muito feliz e bastante encabulada, também.

Apenas uma vez em minha carreira (são mais de 25 anos de trabalho com a Literatura), recebi uma homenagem do poder público oficial, e isso foi na década de 90! Não, essa não é uma homenagem que se recebe todos os dias, daí o meu entusiasmo. O reconhecimento do poder público é uma coisa muito importante, que ajuda a dimensionar o alcance de uma obra fora do contexto para o qual foi imaginada.

Agradeço, então, ao vereador Raul Cassel pela homenagem e por sua amáveis palavras, e à Câmara Municipal de Novo Hamburgo, pelo acolhimento do voto.

Muito, muito obrigada.

15/05/2013

Aí, pessoal! Georgiana Calimeris, de Brasília, leu e resenhou O Nalladigua. Aliás, eu estive acompanhando a leitura dela com seu filho, através de uma troca de mensagens pelo Facebook e foi bastante emocionante – emoção que a gente pode sentir nas linhas que ela escreveu sobre a obra. Confira! 

Os sóis da América, da autora gaúcha Simone Saueressig, que começou a carreira literária em 1987 com o livro O mistério do formigueiro, está em lançamento. O primeiro volume está nas livrarias e é um livro mágico como o próprio nome sugere: O Nalladigua, um bastão mágico, que carrega uma vida de histórias incríveis e fantásticas. Simone resgata com sabedoria lendas do folclore brasileiro como jamais visto antes. O livro é encantado. A personagem principal, em vários momentos, lembra-me um grande personagem do livro História sem fim: o bravo e destemido guerreiro Atraiú.

Em sua busca pela história do sol para seu povo, o jovem Pelume enfrenta adversidades e conhece mundos maravilhosos e personagens nunca antes vistos com tanta poesia. Simone consegue também nos levar aos encantos de Tolkien e uma pitada de J.R.R. Martin por trazer um ponto de realidade para o livro: as personagens morrem e se despedem de amigos queridos tal qual é na vida. O livro é uma metáfora para nossas próprias vidas, é o nosso caminho, da infância à idade adulta. Ainda não pude ler os volumes seguintes, mas, aguardo ansiosa por isso.

É também um belo resgate da cultura nacional, uma vez que a língua tupi-guarani está presente em todo o livro. As palavras são de difícil pronunciação, é um verdadeiro trava-línguas, no entanto, é gostoso saber que existe tanta alegoria mágica em nossa Pátria, que temos nossos próprios deuses e uma história que merece ser contada e explorada por todos nós. É o caminho do herói do bravo guerreiro que somos todos nós, brasileiros. É uma aventura que nos remonta aos nossos sonhos infantis, é um livro que emociona, traz lágrimas e risos, principalmente, se lido em voz alta. Fazia muito tempo que um livro deste tipo não me vinha às mãos e eu me perguntava: onde estariam os grandes autores deste mundo para ser contra-ponto para literaturas inócuas como Crepúsculo e 50 tons de cinza?

A resposta me veio com o volume 1 de Os sóis da América, aconselhado para todas as idades porque todos os dias levantamos como Pelume e repousamos após uma longa jornada.

Georgiana Calimeris

é jornalista de Brasília e escreve para a revista Ticket44

20/05/2013

Para você que está acompanhando o blogue Os sóis da América, mas ainda está na dúvida de se compra o livro ou não (afinal, é mais uma série…), fica aqui um pedacinho da história para degustação. Se ficar curioso e interessado, e resolver adquirir o livro, vá até a Livraria da Porteira da Fantasia (clique aqui) e deslize até o final da lista. Você pode adquirir o livro através do sistema Pagseguro e ainda por cima, seu volume chega autografado!


   “Súbito, ele gelou de susto.

    Era o invunche!

   A criatura saltou para Pelume com um grunhido, as garras esticadas na direção de seu pescoço. Felizmente a terceira perna do arauto tropeçou no barco e o monstro caiu longe do menino, que agarrou o Nalladigua, pronto a usá-lo para se defender. No último momento, entretanto, titubeou. O invunche era medonho, mas bastou olhar seus olhos para Pelume compreender que ele um dia fora humano. Em seu coração acendeu-se uma chama de piedade. Foi Misqui quem saltou sobre a criatura e a jogou na água. De qualquer forma, era tarde: tinham sido descobertos!

   De algum lugar trás deles, ouviram aquele assobio maldito e medonho que tanto medo lhes havia causado no Pampa aberto. Os itinga relincharam horrorizados e, por um instante, cada um quis correr em uma direção. O grupo se deteve. O machí surgiu, montando aquela coisa que comandava, velha, horrenda, viscosa. O piguchén avançou. Tinha umas asas disformes como que de morcego, que ajudavam a prolongar seu salto. Com um golpe da garra afiada, o monstro destroçou os arreios de um dos itinga que puxava o barco da frente e cortou o pescoço do nobre animal, que caiu com um relincho de agonia.

   Saídos do susto, Abapera e Nhanderiquei se moveram em direção ao piguchén. A flecha do índio zuniu certeira, dourada, e cravou-se perto do olho saltado da criatura, que ganiu, surpresa. O machí atacou. O feiticeiro movia-se de maneira extravagante e sussurrava, sibilando sem parar. Quando menos esperava, Pelume sentiu uma ardência no braço esquerdo. Olhou, surpreso: um vergão desenhava-se ali, como se tivesse levado uma chicotada. Esse era um dos piores poderes do machí: ferir seu inimigo à distância!


   O cavalo da canoa da frente, que agora estava sozinho, tentava escapar rumo ao centro do rio, mas as águas agitadas pelo poder do feiticeiro ameaçavam tragá-lo. Ele sobreviveria à súbita fúria das águas, com certeza, mas Nimbó não. Por isso, Nhanderiquei saltou sobre o animal, arrebentou as rédeas de couro com as mãos e empunhou seu arco e flecha.


   – Pule para o barco de Abapera! – ordenou o primogênito com voz possante para o guarani. Quando o barco, arrastado pela corrente, passou perto de Pelume e Misqui, o garoto saltou para ele sem hesitar. A canoa, cheia de gente, oscilou perigosamente, ameaçou adernar, depois endireitou-se, mas estava tão carregada que as ondas entravam facilmente pela proa. Abapera fez a única coisa que lhe restava fazer. Atirou as rédeas dos itinga nas mãos de Nimbó, passou a mão na cabeça de Pelume e saltou para as macegas da margem.


   – Vão embora! Para o norte! Agora! – ordenou, impedindo uma investida mais ousada do piguchén e do machí, cuja face, horrenda, desfigurada pelo corte do anzol de Pelume, rosnava encantamentos. O golpe da lança do gaúcho resvalou no pelo curto que cobria o bicho monstruoso e a criatura voltou-se para ele arreganhando os dentes. Com uma bocada estraçalhou a lança e Abapera ficou apenas com um facão para defender-se. Nhanderiquei tentou acertar o machí pelo outro lado, mas neste momento uma sombra saltou sobre ele. Era o invunche!


   – Seu aprendiz de feiticeiro! Passe-me o corno dourado! – vociferou o machí, saltando do dorso do piguchén e correndo na direção do barco de Pelume.


  – Não tenho nada que você possa querer! – gritou o menino. No salto seguinte, o machí estava dentro do barco. Um gesto seu e a água cresceu feito enchente.


   – Não voltarei a pedir! – berrou o bruxo e um arranhão ainda mais profundo cortou o peito do menino. Pelume cruzou o Nalladigua diante de si, sem pensar, e a madeira frágil de alguma maneira funcionou como escudo. O arranhão deteve-se pela metade e o homem grunhiu. Neste momento, uma onda maior bateu contra o barco e arremessou Pelume aos pés de Nimbó, que deu rédea aos cavalos. O tranco do barco fez com que o machí se desequilibrasse e caísse no rio revolto. O feiticeiro ainda conseguiu agarrar a ponta do Nalladigua, na queda, e por pouco não o levou consigo, mas Pelume o puxou do outro lado, com força. Então as águas embranqueceram de súbito e o corpo do machí foi jogado contra o piguchén, que continuava enfrentando Abapera junto ao rio. Nimbó não esperou para ver o que ia acontecer: gritou para os itinga e ganhou a corrente do rio rumo ao norte, mergulhando no anoitecer.


   Tinham conseguido avançar até uma curva e a noite crescente ocultava-lhes o local do embate. Inesperadamente o céu tingiu-se como o alvorecer, e por um instante pareceu que o Sol se acendera em pleno campo. Ouviram uma grande explosão e um grito


   – O que foi isso? O que aconteceu? – perguntou Misqui, temerosa.


   – Vamos voltar! Pode ser Nhanderiquei! Pode estar pedindo ajuda! – gritou Pelume.


   Nimbó freou os itinga com força. Olhou para trás a tempo de ver a luz dourada se apagar.


   – Ayú! Era Nhanderiquei! – gemeu o guarani.


   Quis voltar. Chegou a dar a volta. Mas se deteve. Um assobio frio e perverso varreu o campo seguido de um silêncio de morte.”

O Nalladigua – Os Sóis da América – vol.1 – Simone Saueressig 

21/08/2013

Bom, agora chegou aquele momento. Você editou seu livro depois de meses de trabalho. O volume ficou como você queria (mas agora você descobriu que gostaria de mudar algumas coisinhas aqui e outras ali, uma vírgula, um parágrafo inteiro. Normal.). Já passou um mês do lançamento e você vendeu vários exemplares.

Missão cumprida!

Você acha? Achou difícil a parte da correção, a correria por causa da capa?

Nada. Agora é que vem o desafio maior: vender e edição.

Porque, como nada se faz sozinho neste mundo, você precisa de ajuda para vender o seu livro. Bons amigos, que vão levar seu livro e colocá-lo na mão de outras pessoas que, por sua vez, irão se interessar pela obra, são fundamentais.

Se você tem boas relações com as livrarias (e geralmente escritor tem boa relação com livrarias, por ser um leitor contumaz), ótimo! Muitas delas trabalham com obras em consignação e você só vai ter de negociar a porcentagem para a loja. Por outro lado, seja prudente. Embora você esteja convencido de que o seu livro é o melhor do mundo, não assuste o gerente da loja querendo deixar cinquenta volumes no estoque dele. Lojas tem espaço limitado para o estoque e eles tem outras obras para guardar. Deixe uns cinco exemplares para a comercialização, no máximo. Mais do que isso, é pedir para o pessoal não aceitar seu trabalho da próxima vez que você for lá. E não se fie de que a loja vai ligar quando vender tudo. Faça uma visitinha rotineira (mas não seja chato, hein? Mais que uma vez ao mês, para verificar o andamento da coisa toda, é demais, a menos que você esteja vendendo como um best-seller. Mas não se preocupe: se você vender como um best-seller, aí a loja vai, realmente, se interessar em ligar para você.).

E outra ajuda fundamental – mas de acesso muito restrito e complicado – é o do distribuidor. Um distribuidor vai ter um alcance maior do que o seu. Ele trabalha com isso, tem contatos profissionais em outras livrarias. E se o seu objetivo é fazer com que o livro circule numa área maior, um distribuidor é um ótimo caminho.

O problema é que nem todos estão dispostos a trabalhar com edições independentes, por muitas razões. Talvez o mais complicado, seja o fato de que as edições independentes são, no mais das vezes, amadoras. Às vezes não tem, sequer, ISBN. Nota fiscal, então, nem pensar.

Isso fecha, ainda mais, as portas para o livro independente. O que você precisa é não esmorecer, e sempre que tiver oportunidade, em uma conversa com um profissional da área, comente que seu livro tem todos os requisitos. Se você puder passar nota fiscal para o livro, melhor ainda.

E mantenha seus miolos aquecidos. Dê voltas aos velhos métodos de venda. E aos novos. Quem sabe, uma hora dessas, você não encontra a grande ideia que faltava?

01/06/2013

Bueno, enquanto o segundo volume da saga Os Sóis da América vai sendo produzido (já temos ilustrações, pessoal), O Nalladigua segue seu caminho. Desta vez é o blog Mensagens do Hiperespaço que nos brinda com uma extensa e completa resenha – o que muito me alegra, porque Cesar Silva, o titular do blog em questão, comentava, no outro dia, através do Twitter, que eu estava pouco menos do que torturando o leitor: “Mas, afinal, o que é o Nalladigua? Simone Saueressig tortura os leitores e não entrega o ouro” . disse. E completou dizendo: “Trata-se de uma pequena vingança da autora pelo sufoco que passou quando leu O senhor dos anéis pela primeira vez.” Não vale, porque o César é parceiro de anos, e conhece muito bem o meu trabalho e minha motivações! Por outro lado, eu considero A Máquina Fantabulástica a minha verdadeira “vingança” literária. E, todo o caso, estou muito feliz com mais essa resenha sobre O Nalladigua. Confira o material completo, clicando AQUI.

 

04/06/2013

Já temos marcada a primeira escola que vai ler e trabalhar O Nalladigua. É a E.E.E.F. Prof. Leopoldo Tietböhl, de Porto Alegre. A remessa já está sendo preparada para levar até os leitores a primeira parte da história do Menino da Caverna Mais Alta do Mundo. Estou muito feliz e entusiasmada. A visita está marcada para o dia 03 de setembro. Vamos lá, pessoal, estou louca para por a foto de vocês aqui no blog!

 

05/07/2013

Já estamos em julho. Até agora, o balanço de O Nalladigua foi muito positivo, sobretudo para um livro independente: tendo sido lançado em abril, já foi adotado em uma escola em Porto Alegre, e está com alguns volumes reservados para São Leopoldo. Diante das dificuldades de distribuição e divulgação que um projeto independente costuma enfrentar, o resultado está sendo excelente! Assim, você que se inscreveu no blogue lá no início, e acompanhou os passos da produção do primeiro volume de Os Sóis da América, saiba que, apesar das dificuldades, o livro independente tem possibilidades. Mas tem que estar disposto a correr e negociar.

Será que eu comentei que me inscrevi no MEI? Hum, acho que não… então, para você, autor independente que está acompanhando o blogue em busca de ideias, uma delas é se inscrever no Microeempreendor Individual – MEI. Assim, se você for microempresário individual, você poderá regulamentar o seu trabalho e fornecer nota fiscal, o que é muito importante. No meu caso em particular, me inscrevi como “livreiro”. Primeiro, porque não existe a profissão de “escritor” na lista de autônomos fornecido pelo projeto. Existia a possibilidade me inscrever como “editor”, mas aí é que vem o segundo ponto: não sei bem como as pessoas que regulamentaram essas atividades pensam, mas acho que eles acham que um editor faz livro e ponto. Não os vende. Provavelmente esse é um dos exemplos do pensamento mágico que acompanha o brasileiro de modo geral: “o que ele faz para viver?” “ele edita livros.” E alguém se espantaria se a pergunta seguinte fosse “ah, tá… mas o que ele faz para VIVER? Em que ele TRABALHA?”?. Porque atividades profissionais significam “trabalho”, que no fundo significa exercer uma atividade que gera remuneração com a qual você pode pagar suas contas, seus impostos e, se sobrar algo, divertir-se um pouco. Fica parecendo que editor não precisa vender livros, que ele só atua como mentor dos volumes e que a atividade intelectual não gera bens para venda…

Enfim: como “editor”, também não era uma boa ideia, porque a atividade de “editor”, segundo o MEI é uma atividade “intelectual”, e por causa disso, estando inscrito como “editor”, eu não poderia fornecer nota de venda dos livros, que era a principal razão pela qual buscava a regulamentação. Assim que me inscrevi como “livreiro” ou “vendedor de livros”, que é o que aconselho a fazer os colegas que desejem se inscrever no programa. Particularmente, estou achando muito bom, porque diminuiu alguns gastos que eu tinha, abriu portas e me possibilitou tratar diretamente com alguns compradores (como escolas, por exemplo), economizando e tendo liberdade de negociar preço e quantidades. Contudo, se algum dia montar uma editora de verdade, e me tornar editora, trabalhando com livros de terceiros, vou ter de mudar o registro. Então, se você estiver levando a sério a possibilidade de ser um escritor independente e vender os seus livros, sugiro que se inscreva no MEI. O site é http://www.portaldoempreendedor.gov.br. É fácil, mas também sugiro que você busca ajuda e esclarecimentos junto ao SEBRAE da sua cidade. Eles vão lhe indicar o melhor caminho.

07fb5-pelumeVenha com a gente: a Literatura pode ser uma grande aventura, na imaginação e na vida real!Isto tudo dito, se você estiver aqui só pela diversão e já tiver lido o primeiro volume da saga, não deixe de nos visitar com frequência. Primeiro, porque assim que fecharmos 21 seguidores (divulgue entre os seus amigos, por favor), vou promover um sorteio de um exemplar de O Nalladigua, autografado. E depois, porque já estamos preparando A Flauta Condor, o segundo volume da história, com lançamento previsto para o segundo semestre. Prepare-se para mais lendas, mais magia e mais aventura com os Três do Sul. As ilustrações estão sendo finalizadas (e deixo vocês aqui com o rascunho de uma delas: Nimbó em um bom momento) e a correção está quase pronta.

11/07/2013

Bem, A Flauta Condor está quase lá. Falta ainda receber a correção e finalizar algumas ilustrações, além da capa. Agora já não demora muito, não.

Esta é a “hora dos bonecos”.

Não se trata de criar bonequinhos dos personagens (bem que eu queria!), mas de fazer um “rascunho” do que será o livro no final. O “boneco”, neste caso, é uma impressão informal do projeto. É nele que se anotará os ajustes menores, que fazem tanta diferença na hora de pegar o livro pronto: se os números de pé de página estão no lugar certo (às vezes eles andam por conta própria, eu juro!), se o texto está todo com o mesmo tipo de letra, se as margens estão direitinho, como está a definição das ilustrações, e outros tantos etc, que nem vale a pena enumerar. Cada projeto apresentará desafios próprios e as pessoas que estão produzindo o livro deverão, na medida do possível, responder à esses desafios, solucionando os problemas detectados. Pois, ainda por cima, haverá uma gama de problemas que se esconderão ao olhar de quem produz e você só vai vê-los depois que o livro estiver pronto, quando eles aparecem com luzes e bandeirinhas, acenando para a gente e mostrando a língua, tão malcriados, quanto a Emília do Lobato!

Enfim, vamos para os finalmentes.

E se você ainda não se inscreveu aqui no site como “seguidor” (ainda não?!), não esqueça de fazê-lo. Assim que fecharmos 21 seguidores, farei um sorteio de um exemplar de O Nalladigua autografado e tudo o mais. Se você já se inscreveu, chame seus amigos para se inscrever. Só estão faltando três pessoas!

23/07/2013

Bem, terminei a última correção do texto (eu acho), que foi a última leitura oral. Ler 150 páginas em voz alta é, no mínimo, cansativo, mas valeu a pena e fica a dica para os escritores indepentes que estiverem acompanhando o blog. Leia seus textos em voz alta. Dê entonação, faça as pausas e, se possível, faça as “vozes” dos personagens. Ajuda um monte! Achei uns quantos errinhos que precisavam ser solucionados, e que eu provavelmente não encontraria se não tivesse feito a leitura desta maneira.

Preciso deixar, mais uma vez, um agradecimento especial à Cíntia Moura, que é a corretora de A Flauta Condor. Quantas coisas, detalhes e discussões de qualidade, que tornaram o texto muito mais legível e, quiçá, mais leve. Também fica o registro do agradecimento para Denise Mazzali Konarzewski, a bibliotecária responsável pela confecção da ficha catalográfica do livro.

Outra coisa bacana foi que na sexta-feira passada a Fabiana Boff esteve aqui em casa para discutir uma das ilustrações do livro. Assistimos à um velho episódio do Globo Repórter sobre os D’puis, que eu tinha gravado, lá na década de 90. Maravilha de episódio que contribuiu, e muito, para esta parte da aventura de Pelume.

Um abraço, pessoal e sigam com a gente.

07/08/2013

Hoje chegou a arte da capa de “A Flauta Condor”. Está muito, mas muito bonita mesmo! Um grande parabéns e um abraço forte para a Fabiana Boff, a nossa ilustradora. Está realmente bacana. Só não coloco a imagem aqui, porque, como de costume, estou me estressando com o programa que trabalha as ilustrações.

Agora falta pouco para o livro ir para a gráfica. Assim que tiver a capa feita, posto aqui para vocês darem uma conferida. Vai ficar muito legal!

11/07/2013

Aí, amigos!

A grande notícia de hoje é a finalização da capa de A Flauta Condor, o segundo volume de Os Sóis da América. Sabem o que isso significa? Que em um par de semanas o livro estará à disposição para a venda! E preparem seus corações: vem aí um aventura de tirar o fôlego, no alto da Espinha Branca!

12/08/2013

Bem, lá foi. O livro está na gráfica. Por incrível que pareça, este é o momento mais tenso para mim. Coisas virtuais, na verdade, não existem. Só existirão quando  finalmente se transformarem em coisas reais, o que só irá acontecer na outra semana.

Assim que, dedos cruzados, velas acesas, e tudo vai dar certo, se Deus quizer.

Dentro de alguns dias, aviso onde faremos o lançamento. Até o final de Agosto o livro deverá estar nas livrarias.

Um abraço, amigos!

26/08/2013

E aí vamos nós!

Se Deus quiser e a chuva deixar, esta semana chega o novo volume de Os Sóis da América, A Flauta Condor. Enquanto isso não acontece, já vou colocando vocês ao par dos lugares maravilhosos por onde Pelume e seus amigos passam e das incríveis criaturas folclóricas que eles irão conhecer. Por isso, o primeiro verbete está na aba Lugares de Sonho,e é dedicado aos Campos de Caçada, El Gran Chaco.

Lembre-se sempre, caro leitor, de que cada volume de Os Sóis da América está acompanhado de um marcador-glossário, para dissipar suas dúvidas, mas que você sempre pode visitar o blogue em busca de informações mais aprofundadas sobre nomes, verbetes, palavras em outros idiomas e os lugares visitados por nossos viajantes. E se você tiver alguma dúvida, interesse, sugestão, etc., não hesite: escreva para: contato@porteiradafantasia.com, identificando sua mensagem como “Sóis da América”. Estarei muito feliz em responder.

Atenção pessoal da Escola Estadual Tietböl: se der tudo certo e nossa visita não for cancelada em função da greve, terei o máximo prazer em levar para vocês um exemplar de A Flauta Condor na semana que vem. Abraços!

29/08/2013

Aí está, pois, o segundo volume de Os Sóis da América: A Flauta Condor. O l ivro está na mão desde terça-feira, e já se encontra à venda na Livraria do site Porteira da Fantasia, além de estar nas principais lojas do ramo aqui em Novo Hamburgo. Em seguida, ele será levado às outras casas que vendem, também O Nalladigua. E em outubro teremos a sessão de autógrafos dos dois volumes, na Feira Regional do Livro de Novo Hamburgo.

Prepare-se: essa aventura vai fazer bater muito forte o seu coração. Sobretudo se você sofrer de vertigem…

02/09/2013

O pré-lançamento do segundo volume de Os Sóis da América, acontece nesta terça-feira, na Escola Estadual Leopoldo Tietböhl, em Porto Alegre. A escola é a primeira a adotar O Nalladigua em sala de aula e por isso, na visita desta terça, os leitores terão a oportunidade de conferir a continuação da saga. Em breve, imagens do encontro que promete ser emocionante!

07/09/2013

Durante a minha visita à Escola Estadual Leopoldo Tietböhl, na semana passada, estive conversando com duas turmas muito especiais, leitores cujos olhos brilhavam de alegria e curiosidade. Foi a primeira turma de escola com quem conversei sobre a saga de Pelume e seus amigos, e a primeira vez que tive o prazer de conversar ao vivo (porque através da Internet já conversei com muita gente sobre os livros) com leitores de O Nalladigua. As perguntas foram muitas e o dia foi muito divertido e animado. Muito obrigada, Escola Tietböhl por ter comprado essa ideia. E um “muito obrigada” especialíssimo à professora Júlia, que escolheu o livro para ler e trabalhar com os alunos. Eu não fazia ideia de tudo o que se pode fazer com essa história.

Aí embaixo você pode conferir os trabalhos dos alunos. Mas é uma pequena parte, porque o resultado total da leitura não é possível colocar aqui. É impossível colocar o brilho dos olhos, as risadas (lembram, amigos, quando estivemos conversando sobre como se diz “Popocatepetl”? Foi muito divertido!), a emoção, o interesse, a tensão da voz de quem está louco para saber o que vai acontecer com o menino das histórias. Preparem seus corações, leitores.

No final, depois de todas as imagens, um presente especial para os alunos da professora Júlia (e para os leitores do blog): como o prometido, aqui está a primeira história de Os Sóis da América, publicada na Popinha nº 176, de 02 e 03 de maio de 1992 e ilustrado por Ariadne Decker. A saga, mesmo, eu só fui escrever dez anos mais tarde, mas a semente de tudo está nestes 2.100 caracteres. E até agora eu não tinha visto que, realmente, tudo está ali.

Abraços apertados, meus amigos. E segurem com firmeza a minha mão: eu sofro de uma certa vertigem toda vez que penso no abismo da cachoeira mais alta do mundo!

Os personagens de O Nalladigua
Ao sul, mais ao sul de todas as histórias conhecidas,

às vezes se vê passar uma placa de gelo grosso, povoada de pinguins!

Muitos trabalhos, cheios de coloridos e ciratividade
Também teve espaço para histórias em quadrinhos
Nos desenhos, vários “nalladiguas”
As ilustrações de Fabiana Boff também fizeram sucesso
O Nalladigua de Pelume
Destelho
Histórias paralelas à história
A professora Júlia e eu
Hora do bate papo
Todo mundo curioso para ver A Flauta Condor
Hora dos autógrafos. A pilha, à esquerda, foi autografada

depois do encontro para que a gente tivesse bastante tempo para conversar.

OS SÓIS DA AMÉRICA

Dentro do salão escuro, Aré sabe: ainda é muito pequeno para conhecer sua terra. Para isso, lhe disseram, precisa encontrar um nome para ela. Até lá, terá de viver no escuro, sem saber nem como é seu próprio rosto! Mais que tudo, Aré deseja sair e ver o mundo. E encontrar a sua própria cara. Assim, cansado de desejar, adormece e sonha.

Primeiro sonha que é um papagaio sobre a Amazônia. Ele voa bem pertinho do sol, que parec e um grande e bravo guerreiro. Aré tira um pedaço do arco dele, e foge assustado.

Depois, ele é um condor nas montanhas dos Andes. Aré chega perto do sol e percebe que ele parece um menino sorridente. Aré tira um cabelo brilhante dele e o sol grita. O grito ecoa feito um vento nas montanhas brancas.

Noutro sonho, Aré virou uma arara. O menino voa sobre o Golfo do México. O sol é uma serpente com plumas douradas. Quando o menino pega uma pluma, a serpente chora. Suas lágrimas viram chuva sobre o oceano.

O sonho de Aré foge para as campinas do norte. Lá ele é uma águia, e o sol um búfalo correndo no céu. Aré pega um pelo dele e voa para o Ártico, onde o sol é um coração de luz e calor. Quandoo menino pega um gota de sol, acorda.

Então Aré vê diante dele, os pedaços de sol com os quais sonhou. Os pedaços começam a girar e flutuar diante dele, como mágica. Assustado, o menino tenta fugir, mas o pequeno sol mergulha em seu peito, bem no coração.

De repete, o salão escuro se desfaz e Aré pode ver o mundo onde vive. Alegre, ele corre nas campinas, nas matas, nas praias. E, finalmente, se debruça sobre um lago. Mas não vê seu reflexo! Aré quase grita de susto. Depois, sossega: para ver a si mesmo, só precisa dar um nome à terra onde vive. E esse, seu coração aprendeu com os sóis do seu sonho. Aré sorri para as montanhas, para as cidades, para o mar e murmura para o continente:

   – América!

13/09/2013

Olha aí os últimos retoques da quena que vai representar a Flauta Condor, amanhã, no lançamento do segundo volume de Os Sóis da América, às 10h, na Biblioteca Pública Machado de Assis, em Novo Hamburgo. Na foto, a artista plástica Doris Dick, dando alguns acabamentos. Venha nos prestigiar!

13/09/2013

Querida Fernanda Encinas:

Soube que perguntastes ao teu pai porque todo mundo em Os Sóis da América falava português.

Bem, você é uma leitora muito atenta. Essa era uma pergunta que eu esperava mais para o final, lá pela metade de O Coração de Jade, talvez. E eu acho que a pergunta que você se faz não é exatamente essa e sim, como é que todos os personagens de Os Sóis da América  se entendem, já que pertecem a povos que falam diferentes línguas.

Confesso que essa foi uma dificuldade, quando comecei a história, e foi uma coisa que me incomodou durante muitas páginas. E no final do último volume, A Pedra da História, Caniço Longo fará essa mesma pergunta (talvez Caniço Longo a tenha feito diretamente a mim, na verdade, e te garanto que não é nada confortável ser confrontada pelos próprios personagens). Eu não tinha nenhum peixinho tradutor para colocar na orelha de Misqui, Nimbó e Pelume, como os personagens de “O Mochileiro das Galáxias”, por exemplo. Não tinha nada disso. Então, como à princípio não tinha uma solução, deixei para buscá-la por último, na esperança de que a própria lógica da história me respondesse isso (e a Caniço Longo, e a você também). E, por fim, a história respondeu. Às vezes (mas só às vezes), a gente precisa deixar ela fazer isso. E apesar de saber que a solução que o teu pai deu para essa questão foi muito legal, não foi essa a resposta que Os Sóis da América me deu. Então eu acho que você vai ter de ler até o fim para saber.

Em todo o caso, o idioma escolhido para contar a história de Pelume foi o português, porque eu só sei escrever neste idioma. Por outro lado, fiquei pensando: será que os leitores de O Senhor dos Anéis, A Espada Diabólica, e tantos outros livros de Fantasia e Ficção Científica que li perguntaram-se, em um determinado momento, porque os personagens falavam sempre inglês, e não castelhano, ou francês, ou mandarim? (Muitos personagens de Ficção Científica são telepatas, o que facilita a vida do escritor, mas sempre me pareceu um pouco fácil demais). Será que os leitores de Aladim e a Lâmpada Maravilhosa se perguntam porque Aladim se veste de árabe, quando a história original se passa na China? Hum… não sei.

Enfim, são as perguntas que as histórias fazem para o leitor mais atento (e somente para ele). Por isso, te deixo um abraço, e um grande “parabéns”, por ter prestado tanta atenção à narrativa. Espero que continues seguindo as aventuras dos Três do Sul e que, quando chegues ao final, compreendas. E tomara que eu consiga te emocionar e despertar a tua curiosidade para cima deste continente maravilhoso onde vivemos.

Um grande abraço

Simone Saueressig

16/09/2013

No sábado dia 14, então, finalmente A Flauta Condor iniciou sua  caminhada. O lançamento aconteceu na Biblioteca Municipal Machado de Assis, em Novo Hamburgo, e contou com a presença de vários convidados e leitores de O Nalladigua, que vieram buscar a continuação da viagem de Pelume. Foi um momento muito legal e eu pude falar mais um pouco sobre essa viagem maravilhosa através da América, através da palestra “Viagem pela magia da América – um imaginário a descobrir“. Deixo aqui um abraço especial para a bibliotecária Denise e para a Suzi, que fizeram questão de fazer o lançamento do livro lá e nos acolheram com muito carinho. Valeu, gurias!

Fabiana, a ilustradora, dando o seu recado

Alguns assistentes da palestra

Eu, na palestra

Hora dos autógrafos

E mais duas fotos “roubartilhadas” de Denise Konarzewski, do Face Agenda Cultural de Novo Hamburgo.

A ilustradora e a escritora

Autógrafos

21/10/2013

No dia 19 de outubro, no sábado que passou, fizemos a sessão de autógrafos dos dois primeiros volumes da saga, durante a 31ª Feira Regional do Livro de Novo Hamburgo. Um momento importante, porque a feira de livros de um município é um dos pontos culminantes da agenda cultural da cidade, quando se reúnem leitores, visitantes, livreiros, autores, fãs… tem de tudo.

Dessa vez, eu e a Fabiana Boff, a ilustradora, nos deparamos com uma boa supresa: apesar dos livros terem sido lançados em abril e setembro (e sempre há o risco de “esvaziar” uma sessão de autógrafos quando a gente faz eventos muito próximos) os leitores compareceram e quando vimos havia uma fila a espera da sua dedicatória. Veio gente de outras cidades, como Portão e Estância Velha, e muitos amigos e leitores aqui de Novo Hamburgo. Teve gente que apareceu para buscar a continuação da história e gente que veio para conhecer o projeto e adquirir o primeiro volume. Teve muito carinho, muito abraço, e muitas fotos, como vocês podem ver mais abaixo. Foi uma tarde muito especial, um verdadeiro sucesso.

Obrigada a todos vocês que vieram e que agora fazem parte da história desses livros. Foi maravilhoso poder contar com todos vocês. Um grande beijo!

A fila dos autógrafos
Com Alex, da Malma Cia de Dança.
Seu Beno veio de Portão pegar o seu autógrafo
Com Denise, professora de Tai-chi-chuan
Olha o sorriso da Fabi!
Paulo (à esq.), David Bissigo Ricco e Elias Hoffmann
Fabi, eu e Juliana Campagnoni
A professora Zilmara, de Estância Velha
Prof. Simone, da Nilo Peçanha
Tata, uma boa e velha amiga
Com Vera Amaral, professora, bailarina, artesã, artista

Abaixo, fotos da colheita do Gabriel, namorado da Fabiana Boff. Obrigada pela mão, Gabriel!

Ô trabalho bom, sô!
Com Renate Gigel, de pé, a nossa patronesse da 31ª Feira Regional do Livro de Novo Hamburgo, e Juliana Campagnoni
Com Patrícia, amiga e psicóloga
Preparando a sessão de autógafos
Fabi, eu e minha mãe, devidamente uniformizadas
Doris e a professora Livas. Grande momento!
Autógrafos

11/12/2013

Saiu uma resenha super completa da mão de Cesar Silva no blog Mensagens do Hiperespaço e para vê-la, basta clicar AQUI . O blogue é especializado em resenhas e comentários sobre livros, filmes, histórias em quadrinhos e todo o tipo e de atividade que envolve a produção do Fantástico, da Fantasia e da Ficção Científica. César assina ainda, junto com Marcello Branco, o “Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica”, um documento valioso para a história do gênero aqui no Brasil, comentando e reunindo publicações nacionais, estrangeiras, efemérides, etc. E para completar, sempre foi um parceirão na minha produção literária, dando-se ao trabalho de ler, fazer críticas construtivas e discutir o assunto com opiniões firmes e contundentes. Vale dar uma conferida!

16/12/2013

Todo livro que eu produzo, aprendo alguma coisa. Em “O Coração de Jade“, o terceiro volume da saga “Os Sóis da América“, estou aprendendo sobre a autêntica saia justa em que as vezes um autor coloca o seu diagramador, sem ter a menor noção disso.

Explico:

A gráfica me pede, sempre, que o material enviado para impressão tenha um número de páginas divisível, no mínimo, por 8. O ideal, me repete Móriz Mozart, é 16, porque assim o “caderninho” fica certinho e há um maior aproveitamento do papel.

Por outro lado, estão meus bons amigos que entendem de diagramação, que me dizem e repetem que não é elegante deixar uma linha sozinha (chamada de “linha viúva”) no início ou no final da página. O ideal é que a página ou abra, ou feche, com duas linhas. Pecado que mutias vezes, por falta de opção, cometo.

Some-se a isso as ilustrações, o tamanho das letras e das entrelinhas, noves fora e… a conta não fecha. Você vira e mexe, e a conta não fecha. Ou salta uma página à mais (por exemplo, se você tem 160 páginas, fica com 161) ou com páginas a menos (você resolve fazer 176 páginas e descobre que seu material só fecha 161 de qualquer jeito). Você não quer mexer no tamanho da linha, da entrelinha, do parágrafo, das margens, você não pode tirar aquela página de “cenas do próximo livro”  lá de trás (que você incorporou à coleção porque num primeiro momento podia, e foi uma boa ideia), você não pode fazer nada disso, porque tudo isso é padrão na série.

É, eu sempre detestei matemática.

Mas isso não é matemática, é diagramação. O bom é que, sendo a produtora do texto E diagramadora, posso me dar a luxos como cortar coisas ou, simplesmente, escrever umas quantas páginas à mais, para fechar o número mínimo de páginas.

Porém, consigo imaginar a aflição dos diagramadores profissionais, os que trabalham em editoras, tentando fazer o texto e as ilustrações encaixarem no tamanho pedido pela editora. Deve ser um quebracabeça bem “bom”. Bom para quem gosta…

Isto tudo dito, amigos e leitores, fiquem preparados: “O Coração de Jade” já tem lançamento previsto para abril do próximo ano. Vem muita aventura por aí. Até breve!

21/12/2013

Oi gente! Só passei para lembrar: dia 27 de dezembro, o projeto Sóis da América completa um ano. Um ano desde que saiu do sonho para tomar forma e virar realidade. E é muito bom saber que não estou sozinha nesta caminhada.

Beijo especial para quem trabalhou direto: o Saint-Clair, que nos deixou no começo de tudo, mas deixou para nós um trabalho de excelente qualidade, a Fabiana Girotto Boff, que comprou a briga sem nem olhar muito, a Denise Konarzewski, ao Cesar Silva e à Georgiana Calimeris (por enquanto, os resenhistas da saga) e a Cíntia “Furufuhué” de Moura Pinto, nossa corretora. Um abraço forte e sincero para os pais, amigos, namorados e afins, que ficaram ao nosso lado, torcendo por cada passo dado e prestigiando todos os momentos importantes.

E um muito obrigada a você, leitor, por estar aí, do outro lado da telinha, acompanhando essa jornada. Valeu a companhia! Espero encontrar você em cada página de “O Coração de Jade” e “A Pedra da História“. A jornada continua em abril!

07/02/2014

Estive falando com a nossa corretora, a Cíntia, na rede e ela me confirmou a primeira entrega de “O Coração de Jade” para o meio de fevereiro. Ela está bem entusiasmada, sobretudo com a segunda parte do livro, que se passa no coração do Império Asteca, em Tenochtitlan, a capital. Muita intriga e lutas contra terríveis criaturas da cultura asteca, marcam a história. Você não perde por esperar, querido leitor!

10/02/2014

Chuquichinchai esperando para ler “O Coração de Jade“. Esse livro sai ou não sai?

21/02/2014

Bem, depois de reclamar imensamente do ISBN ter um sistema de solicitação atrasado e antiquado, entrou no blogue para elogiar as novidades do sistema. Pois agora ficou bem fácil: a gente pede o número através da internet e paga num boleto bancário, que pode ser pago em qualquer banco (e não necessáriamente na boca do caixa, como acontecia antes com quem não é cliente do Banco Santander, onde o número deve ser pago). Parabéns ao sistema.

E se você for dos autores independentes que acompanham o blogue, não deixem de fazer o seu ISBN. É importantíssimo, é o RG do seu livro. O site da Agência Nacional do ISBN é http://www.isbn.bn.br. Se informe.

28/02/2014

Upa! Se todos os livros fossem iguais ao “Coração de Jade“… dessa vez a programação correu como uma seda: a correção chegou com bastante tempo (também, eu mandei com bastante tempo), os desenhos internos foram fáceis de trabalhar, fiz as pazes com o programa que trabalha as imagem (a saber, o Photoshop), o ISBN feito através da internet chegou tranquilo, a ficha catalográfica foi feita em tempo record (obrigada, Denise!), e, em fim, só faltam alguns detalhes. Por exemplo, falta a capa (detalhes, como eu disse), e a contra (idem). Mas temos tempo, então eu acho que dessa vez eu não vou pirar na batatinha.

É isso aí: só faltam algumas “coisinhas” para que “O Coração de Jade” vá para a gráfica.

Um alívio só, porque a correção teu um bocado de trabalho. Nome asteca (mexica, como eles preferiam) é uma complicação só! Mas acho que vocês vão gostar. Só posso dizer que me diverti muito escrevendo o texto e corrigindo também.

Nos vemos!

16/03/2014

E aí, pessoal, tudo beleza?

Parece que desta vez aprendi a trabalhar com o Photoshop. Também parece que desta vez descobri onde estava o erro que cometia na montagem da capa e obrigava a gráfica a mexer no tamanho.

Eu acho.

Com a virtualidade, nunca se sabe.

Em todo o caso, eis a capa. Espero que vocês gostem tanto dela quanto eu gostei. O livro tem lançamento oficial no dia 11 de abril, mas quando chegar mais perto passo detalhes.

Espero que você goste deste volume. É um dos mais emocionantes… quero dizer, acho que no final das contas, cada um terá o seu.

Quer ganhar um volume de “O Coração de Jade” e saber como continua a história? Estou sorteando três deles:

Entre na página do livro no Facebook https://www.facebook.com/soisdaamerica, curta, e deixe um recadinho dizendo quem você acha que é o personagem mítico que aparece na capa do livro. E… pronto, você já estará concorrendo.

Corre lá! Um beijo!

17/03/2014

Estou me devendo este post desde o ano passado, acreditam? Pois é. Acontece que no ano passado, fui convidada para participar de um projeto de leitura organizado pela Prefeitura Municipal de São Leopoldo, o Leituração. O projeto leva vários autores para as escolas, primeiramente em forma de livro, depois pessoalmente. Como sempre acontece nesse tipo de visita, a emoção fala muito alto, e desta vez não foi diferente, sobretudo porque um dos livros escolhidos pelo projeto foi “O Nalladigua“. Isso, por si só, já seria uma coisa importante, mas o legal mesmo foi ver o que os leitores do livro fizeram com a história de Pelume. Ficou na memória, sobretudo, o trabalho da EMEF Maria Gusmão de Brito, onde os leitores criaram maquetes, bonequinhos e até um livro ilustrado com maravilhosas fotografias em forma de colsplay criado por um aluno! Foi um trabalho muito envolvente, que me deixou muito feliz quanto ao rumo que Os Sóis da América vão tomando, e justo nas escolas!

Fica um abraço muito grande para a professora Juraci Benta Moehlecke, organizadora do projeto, e que me acompanhou na maratona de visitas. Obrigada pelo convite e pela alegria que vocês me proporcionaram!

15/04/2014

Rolou de tudo na IIIª Odisseia de Literatura Fantástica: palestra, bate papo, tititi, fofoca, amizade, muita festa. Até livro teve, conversa sobre cinema, discussão séria em torno da Literatura de todas as idades. Aliás, eu achei que essa foi uma tônica do encontro: não ouvi o chororó costumeiro “ninguém gosta da gente”. Ouvi gente discutindo Literatura. Programas de leitura. Qualidade gráfica. Papo de quem cresceu muito de 2012 para cá.

O evento, que começou na sexta-feira dia 11 com o dia das escolas, do qual participei ao lado de Felipe Castilho, autor de “Ouro, Fogo e Megabytes”. O encontro reuniu, ao longo de três dias, centenas (milhares? Não sei, ainda não temos uma estimativa oficial) de pessoas que gostam de ler, escrever, ver e ouvir sobre livros e filmes de cunho Fantástico. A feira de livros do evento cresceu de maneira expressiva desde a primeira edição. E se na primeira Odisseia (em 2012) acontecia uma palestra de cada vez, este ano havia duas rolando ao mesmo tempo: pura contraprogramação. A gente não sabia para onde ir. Até eu fiz parte da contraprogramação no sábado, numa mesa redonda com Nikelen Witter e Ana Lúcia Merege, sobre Literatura Infanto-Juvenil. Ao mesmo tempo, logo ao lado e embaixo, acontecia uma conversa sobre o programa Mochila Literária

Houve um excelente palestra com o Tabajara Ruas, na noite de sexta-feira. O Tabajara é mais conhecido por suas histórias sobre a revolução farroupilha e seu trabalho no cinema, mas depois de falar de maneira apaixonada sobre a vida de H.P.Lovecraft, ele comentou que tem alguns livros no gênero Fantástico. Para garantir a leitura, é claro, na manhã seguinte fui procurar “Fascínio” e “A região submersa”, que encontrei. Amo Porto Alegre por essas coisas. A Porto Alegre dos livros, do primeiro amor da minha vida, das coisas acontecendo ao mesmo tempo. Das segundas chances. Dos sebos. Da vida.

O lançamento de “O Coração de Jade” foi meio às escuras, reconheço, mas o livro ficou por lá o tempo todo. É sério, o “às escuras”! O Memorial do Rio Grande do Sul, este ano, reservou o térreo para a Odisseia. O térreo do antigo Correios da Praça da Alfândega é um labirinto fácil de corredores largos e baixos, e dois salões de pé direito muito alto, iluminado por amplas clarabóias que os fecham à altura do segundo andar. Gosto muito do térreo com suas obras de arte nas paredes. Só que… por razões que a minha razão desconhece oficialmente, não havia ar condicionado, e no recanto onde estava a mesa dos independentes não havia luz elétrica, a não ser a da clarabóia lá no alto. Quando o sol desaparecia por trás do Guaíba e o crepúsculo tomava conta… as sombras esgueiravam-se de seus redutos embaixo das velhas escadas de ferro, do poço do elevador, e se acolheravam no saguão onde os livreiros se entreolhavam meio ressabiados. Em evento de Literatura Fantástica, nunca se sabe se o colega de em frente não vai saltar subitamente sobre a mesa e uivar, ou se o visitante não vai exibir, inesperadamente, um par de caninos afiados e brancos em um sorriso muito vermelho em um rosto excessivamente pálido.

Assim que, lá pelas seis horas, o saguão onde estávamos ficava sombrio. Escuro. Quente e abafado. A gente olhava para o corredor ao lado, iluminado com as luzes indiretas, com uma certa inveja. E daí que no segundo dia, quando o Bando Celta começou a tocar e as meninas organizaram uma roda para dançar, eu pensei… é como se estivessemos em uma das antigas cavernas cheia de desenhos nas paredes. E lembrei imediatamente dos bisontes da Cueva de Altamira, das Vênus Paleolíticas, do Xamã de Les Trois Frères, das danças de roda sagradas: ali estavam todos clãs da tribo do Fantástico, dos feiticeiros aos cientistas, todos os contadores de histórias dançando, cantando, batendo palmas. Fomos e viemos e como numa dança circular, passamos pelo mesmo ponto, mas mais adiante no Tempo, como numa espiral.  Na última tarde, também fui para a roda. A pele dos braços arrepiava cada vez que a gente abria e fechava o círculo para deixar alguém entrar. Pelume sentiu-se em casa. E eu também.

Será, César, Duda, Christopher, Nikelen e Cristian, será que vocês têm noção real do que foi? Noção que não se tira dos números (estes são para quem não estava lá, para quem não foi e que vai se contentar com o algarismo, essa invenção da modernidade para dimensionar o palpável), mas das sensações, das lembranças e da alegria? Não sei. Mas sei que fomos, por um momento, tão velhos quanto os contadores de histórias das tribos paleolíticas e tão jovens quanto as crianças do futuro, que ainda irão ouvir falar dessas tardes especiais, onde histórias foram imaginadas, contadas, trocadas e transformadas.

Quando os clãs se reúnem, sempre fica um sabor de comunhão.

Com André Cordenonsi, de Santa Maria
Show do Bando Celta
Mesa redonda com Nikelen Witter, de Santa Maria, e Ana Lúcia Merege, do Rio de Janeiro
Com Flávia Cortez e Eliandro Souza, da AMA Livros
No bate papo com Felipe Castilho
Com o pessoal que assistiu ao bate papo
À esquerda, “O Coração de Jade”, o lançamento oficial. À direita, “Padrão 20”, em pré-lançamento pela Besouro Box
A queridíssima Nikelen Witter na banca dos independentes

29/07/2014

 

04/08/2014

Este veio diretamente de Brasília, da mão de Georgiana Calimeris. A Georgiana é uma das leitoras-resenhistas de saga Os Sóis da América, tendo me proporcionado momentos muito emocionantes até agora. Ela está lendo a história de Pelume com o filho, o Nic. Embora eu não conheça eles pessoalmente – ainda -, podem acreditar que eles vivem dentro do meu coração. Um abraço, Nana, e obrigada pela ilustração!

Pelume com Nalladigua – Gerogiana Calimeria

07/08/2014

E aqui estou para contar para vocês sobre esse que é um momento único na história dos meus livros – e que está acontecendo justamente com “Os Sóis da América“.

Christopher Kastensmidt, é o autor da série “A Bandeira do Elefante e da Arara“, através da qual ele conta as aventuras do bandeirante holandês Gerard von Oost e do ex-escravo Oludara em um Brasil da époda dos bandeirantes. Em seus contos, a realidade se mescla à Fantasia, e as criaturas do folclore como o Saci, o Capelobo, o Curupira, ganham vida em suas páginas causando suas costumeiras estripulias e gerando muito material divertido para leitores de todas as idades. Seu primeiro conto deste universo, “O Encontro Fortuito de Gerard von Oost e Oludara“, foi finalista do prêmio Nébula, e vencedor do prêmio Realms of Fantasy Readers’ Choice Award. Você pode visitar o site da série, clicando AQUI.

Pois bem, Christopher foi convidado para fazer dois painéis na 72nd World Science Fiction Convention, que este ano acontece pela terceira vez em Londres, e que está sendo chamada de Loncon 3 (você pode visitar clicando AQUI). E no painel do dia 16, ele irá falar sobre a saga “Os Sóis da América“.

É a primeira vez que um livro meu é tema de uma explanação desse tipo e não eu posso deixar de compartilhar com vocês a alegria de que seja justamente a história de Pelume a que tenha conseguido chamar a atenção. Quem me conhece mais de perto sabe que essa história é um projeto muito caro, acalentado e sonhado, e finalmente realizado com a cara e a coragem.

Assim, no dia 16, Pelume, Misqui, Nimbó e Furufuhué estarão oficialmente em terras de livros que tem diretamente a ver com a confecção da saga: estarão pisando em território inglês, de onde veio “O Senhor dos Anéis” que, ao fim e ao cabo, foi a inspiração primeira para a minha carreira e a proposta das Belas Terras, da qual “Os Sóis da América” é o projeto mais importante. Na minha cabeça, é como poder devolver, com muito carinho, o que me foi dado. E não posso deixar de pensar que esse meus personagens também estarão visitando o país de Peter Pan, dos personagens das “Crônicas de Nárnia“, e, finalmente, de Harry Potter. Tudo isso faz o meu coração bater com muita, muita força.

E por isso, no dia 16 estarei realizando uma sessão de autógrafos na Letras&Cia, a livraria do Bourbon Shopping, aqui de Novo Hamburgo. O evento começa às 15h e enquanto houver gente querendo bater um papo ou pegar um autógrafo, vou ficando por lá.

Se puder, apareça! Vou ficar imensamente feliz em dividir esse momento com você!

16/08/2014

Foi hoje, dia 16, às 12h (hora de Londres), a mesa “Representing Indeigenous Cultures in Speculative Fiction” (Representando Culturas indígenas em ficção especulativa), com a presença de Christopher Kastensmidt, Maureen Kincaid Speller e Gillian Polack, mediado por Ronald Meyers. O painel de Maureen Kincaid  foi The Silence of the Indian: representations of indigenous North Americans in science fiction and fantasy” (O silêncio dos indígenas: representações dos indígenas norte-americanos de ficção científica e fantasia”, e Gillian Polack falaou sobre Old cultures, new fictions: introducing three Indigenous Australian writers of speculative fiction” (Culturas antigas, novas ficções: apresentando três escritores autralianos indígenas de ficção especulativa). Christopher Kastensmidt falou sobre “Os Sóis da América” no painel  Simone Saueressig and the Indigenous Epic” (Simone Saueressig e a epopéia indígena). O painel contou com uma excelente assistência e já houve quem perguntasse quando a saga sai no idioma inglês. Nem preciso dizer que estou muito feliz com o resultado e que espero todo mundo hoje, às 15h, na Letras&Cia, do shopping de Novo Hamburgo, para bater um papo e autógrafar “O Coração de Jade“, que ainda não teve o seu destaque na minha cidade. Agora chegou a vez dele. Nos vemos lá!

17/08/2014

Como o combinado, no mesmo dia do painel em Londres, dentro da programação da Loncon 3, realizei uma sessão de autógrafos na Letras&Cia, do shoppíng de Novo Hamburgo. Vários amigos apareceram para me dar um abraço e botar a conversa em dia, como o Athos Beren, que é um escritor que começou muito, muito cedo, com apenas 11 anos, e escrevendo livros-jogo. Foi ótimo poder rever a Fernanda, por exemplo, que foi minha aluna e que eu perdi de vista, e abraçar o Zuza, que era meu vizinho, foi de muda e virou colega de Facebook.

Gente, fica aqui um grande abraço e um “muito obrigada” por irem até a livraria compartilhar esse momento comigo. E um “muito obrigada” gigante para a equipe da Letras&Cia., pela acolhida sempre calorosa. Vocês foram ótimas, gurias!

Com a super-equipe da Letras&Cia. Obrigada, gurias!
Alex Lassakosky e Juliana Campagnoni, de olho no Nalladigua
Com Zuza Silveira, arquiteto e colega de signo
Com Denise Zaleski, professora de Tai-chi-chuan
Com Athos Beren, escritor e mestre de RPG
Com Fernanda Manhabosco
Hora dos autógrafos

24/08/2014

Na sexta-feira, dia 22, fui visitar a EMEF Nilo Peçanha, que trabalhou O Nalladigua e A Flauta Condor. A vista foi regada à muito carinho e muitos trabalhos dos alunos, que demonstraram, com criatividade, como é possível divertir-se e viajar em um livro. Os leitores criaram vários nalladiguas, muitas ilustrações extra e, inclusive, um jogo para leitores e os ainda não leitores da saga. Foi um dia muito divertido e cheio de perguntas inteligentes, que me deixou com a certeza de estar andando pelo caminho certo.

Um grande abraço, pessoal, e curtam algumas imagens da visita! (no https://www.facebook.com/soisdaamerica, tem mais!)

22/10/2014

Oi pessoal!

Aqui está o convite para o lançamento oficial de A Pedra da História. Ele deverá ocorrer na 60ª Feira do Livro de Porto Alegre, no dia 04 de novembro. Haverá dois momentos: um de bate-papo sobre o trabalho, na Casa do Pensamento, às 15:30h. A sessão de autógrafos será na Praça dos Autógrafos, às 17h. Espero vocês lá!

02/01/2015

Adquiri o “Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2013 – Os primeiros dez anos“, organizado por Marcello Simão Branco e Cesar Silva, e editado pela Devir, porque precisava do material para uma pesquisa que estou fazendo. O Anuário faz uma bela listagem, todos os anos, sobre os melhores títulos publicados no Brasil no gênero da Literatura Fantástica, além de trazer artigos e entrevistas de relevância para quem gosta de ler ou escrever dentro deste universo.

Pois qual não foi a minha surpresa quando me deparei com uma resenha de quatro páginas para os dois primeiros volumes de Os Sóis da América. Cesar Silva (que mantém o blogue Mensagens do Hiperespaço. Para acessar, clique AQUI) discorreu belamente sobre O Nalladigua e A Flauta Condor, analisando os livros desde o texto até as ilustrações, fazendo uma leitura apurada e crítica da narrativa. É claro que fiquei muito feliz ao ler o material que coloca os primeiros dois volumes da nossa saga na publicação de pesquisa mais importante do país e com uma análise tão positiva.

Que 2015 continue assim!

05/05/2015

Abro o dia de hoje com uma excelente notícia vinda da mão do escritor Christopher Kastensmidt, um dos grandes incentivadores da saga de Pelume e seus amigos. Como os seguidores do blogue sabem, Christopher apresentou Os Sóis da América  no Loncon3, no ano passado, em uma mesa redonda da programação oficial do encontro (querendo rever o material, clique AQUI).

Pois Christopher foi convidado a editar o seu material em forma de artigo no jornal “Foundation: The International Review of Science Fiction” ainda este ano, com previsão de sair na edição de Agosto.

O artigo, que reúne o material da palestra com o acréscimo de vários dados, é muito legal. Não posso fazer mais do que agradecer pelo apoio. Muito obrigada, Chris!

Se você quiser ver a mensagem do autor, clique AQUI.

Visite a página A Banderia do Elefante e da Arara, e conheça o projeto da Bandeira e da Arara. No blogue, você saberá mais sobre a série de histórias que Christopher Kastensmidt escreveu sobre seus aventureiros no Brasil Colonial, e aproveite para conhecer os diferentes formatos de mídia dos contos.

07/05/2015

Confesso: quando a entrevista com Ruth Rocha saiu na Zero Hora, nem li. O título me pareceu meio óbvio, então não fui atrás: “Ruth Rocha: O politicamente correto foi muito prejudicial para a literatura infantil”, feita pelo Alexandre Lucchese.(veja a entrevista AQUI)

Bueno, isso do politicamente correto ser ruim para a literatura de qualquer gênero e para qualquer idade é fato desde o tempo em que inventaram o politicamente correto. A dona Ruth reclamou (desculpem, mas não consigo chamá-la só pelo primeiro nome), a Silvia Ortoff, a Marina Colassanti, a Ana Maria Machado. Eu sempre achei uma chatice sem tamanho e sem cabimento, mas não sei se minha opinião conta, acho que não. Então, quando vi o título, pensei “mais do mesmo, há quantos anos?” Melhor não pensar no assunto. Segui com a minha vida.

Mas na semana passada dona Ruth que, diga-se de passagem, foi uma das grandes autoras da minha infância quando eu nem pensava que havia gente que se dedicava a escrever para crianças, a dona Ruth ousou repetir a heresia literária do momento, heresia que ela tinha dito na entrevista para o Alexandre, mas que não tinha surtido efeito, em uma entrevista para um site de notícias de São Paulo. A dona Ruth ousou dizer que acha que Harry Potter não é literatura, e que livros com bruxas e vampiros são um modismo que vai passar. O que, diga-se ainda, é a opinião dela, à qual ela tem todo o direito, mesmo que a gente ache que é uma opinião equivocada.

Enfim, pra quê?! Que Deus nos acuda! Como assim, Harry Potter não é literatura?! Como assim, bruxas e vampiros são moda e vão passar?! Nada disso, gritaram os fãs. Logo agora que estamos saindo do anonimato, do limbo nebuloso onde nos atiraram os professores de literatura e a universidade? ‘Tais brincando, dona Ruth?

Não, nem brincando, nem nada. Na real, o fandom é tão antiquado em suas ideias quando a Ruth. E tão desinformado quanto ela.

É que o público do centro do país pouco conhece (sejamos politicamente corretos, não é mesmo?) o que a imprensa gaúcha publica. Se sai uma entrevista cabulosa na Zero Hora, com alguma figura famosa, a gente comenta, mas nós somos os gaúchos, os brasileiros mal-humorados por excelência (por causa do clima frio e invernal, a falta de praias maravilhosas, garotas de Ipanema e jangadas nordestinas, bem se sabe). A gente sempre reclama e na maior parte das vezes sem nenhuma razão de ser, como foi quando a Globo fez a primeira versão de “O Tempo e o Vento”, com uma abertura maravilhosa e a trilha sonora ainda mais maravilhosa, “Passarim”, do Tom Jobim. Os gaúchos reclamaram do primeiro ao último, dizendo que a Globo podia ter chamado um compositor gaúcho para isso – coisa com a qual eu não concordo o mais mínimo. Mas é só um exemplo do quão mal-humorados podemos ser os gaúchos. Insatisfeitos, sempre.

Pois bem, daí que acontece o mesmo que aconteceu com o cordeiro que viva gritando “É o lobo!”. No fim, ninguém dá bola.

Agora, quando sai algo na imprensa do centro do país, aí a coisa fica grande. Porque aí mexe com os brios do pessoal lá de cima.

Feita a reclamação tipicamente gaúcha, vamos ao que interessa.

Na entrevista que Ruth Rocha deu ao IG, ela comentou (novamente) que não considera Harry Potter literatura. E que bruxas e vampiros são moda e que, como toda moda, vão passar pela avenida, feito o samba popular da Elis Regina, com a diferença de que “Vai passar” ficou, e os demais seguirão o seu caminho para o esquecimento.

A opinião de dona Ruth, que eu respeitaria se, como eu, ela tivesse lido a série da Rowling, mesmo sem morrer de amores pelo personagem, pela escritora e pela forma como ela desperdiça uma grande história, só teve essa repercussão por três razões. A primeira e mais importante é: apesar da maioria de seus críticos estarem morrendo de raiva, as histórias de Ruth Rocha fizeram parte das leituras de infância da maioria desses críticos. Eles estão se sentindo traídos por uma autora que lhes falava ao coração. As outras razões são mais mundanas. A opinião dela conta, porque Ruth ganhou prêmios importantes e porque tendo uma história marcante na única revista que conseguiu se posicionar contra o regime ditatorial, a revista Recreio, é respeitada pela imprensa. Para quem não sabe, a Recreio dos anos 70,  que guarda com a atual apenas a coincidência do nome,  não sofria nas mãos da censura porque era material infantil e portanto, como a maioria das pessoas infelizmente continua a pensar, infantilóide, sem nenhuma relevância. A formação das pessoas, vê-se, não tinha nenhuma relevância para a ditadura que ignorava joias como “Romeu e Julieta” – a das borboletas, não a de Shakespeare –, “Marcelo, Marmelo, Martelo” e outras delicatessens que nos ensinaram a pensar em uma época na qual pensar podia ser um crime. Se não fosse tudo isso, ninguém estaria dando a mínima.

O que eu não estou dando a mínima é para a polêmica em torno do que a dona Ruth disse sobre o Potter, as bruxas e os vampiros.Eu estou indignada, é com o que ela disse ao Alexandre Lucchese (e que você não encontra na entrevista da IG). Segue o trecho:

A senhora destaca bons autores infantojuvenis surgindo no mercado?

Não. Na literatura para adultos, vejo muita gente boa. Mas a literatura infantil está muito influenciada por coisas de fora (do país), vampiros, bruxas, mágicos… Acho isso tudo uma bobagem. Não vejo graça alguma.”

E fecha aspas. Mesmo.

Doeu. Doeu muito. Em apenas 34 palavras, a Ruth confirmou aquilo que eu já suspeitava, que você que gosta de literatura de fantasia brasileira já sabia: ela não leu. Ela não nos leu. Eu sei que sou uma das que mais reclama sobre a qualidade (e sobretudo a falta dela) em muitos dos textos de Fantasia brasileiros. Mas também sei que tem gente muito boa nessa seara. Gente que merece ser, se não citada, pelo menos lida. Ela poderia ter dito “temos alguns autores bons”, e fecha aspas, não precisa citar o nome de ninguém. Ela poderia ter citado algum dos autores da velha guarda. Falar mal de Harry Potter, reclamar de livros que se inspiram livre, clara e profundamente em temas, livros e filmes europeus e americanos, é fácil. Nem é preciso dar muitas voltas. Mas ignorar que há gente tentando fazer algo digno deste lado de Greenwich e ao sul do  Equador, expõe aquilo que se fala e ninguém gosta de confessar: que os autores brasileiros não estão lendo os autores brasileiros. Que os leitores brasileiros passam, com muita desconfiança, da primeira página de um livro de Fantasia brasileiro, quando não o repõe na estante de onde o tiraram, com uma expressão de consternação (sejamos politicamente corretos. “Nojo” é uma palavra meio pesada, apesar de curta). E quando finalmente, optam por ler algum título, esses leitores optam pelo óbvio: por bruxas e vampiros, porque isso é o que se reconhece por “Fantasia”.

No Facebook de um amigo, comentei, brincando, que a Ruth Rocha dizia isso porque ainda não tinha “me” lido. E que precisava me ler.

Agora é sério: ela ainda não me leu. E precisa ler. A mim, e à uma lista de autores capazes, divertidos e talentosos.

E audaciosos. Podemos não acreditar em assombração. Mas continuamos a acreditar na Literatura de Fantasia, sobretudo quando ela tem a cara do Brasil e da América.

Pena que tem tanta gente daqui que escolheu ignorar a gente. Porque quem vem de fora, acreditem, está louco para nos conhecer.

12/05/2015

Olha que docinho, eu encontrei entre as fotos de uma visita a uma escola em São Leopoldo, em 2013. Com vocês, a versão fofa de Destelho, o camahueto de Pelume.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s