Conto na Trasgo

E aí, pessoal, tudo bem?

Tem novidade para quem acompanha as aventuras de Pelume: na Trasgo nº14 vou contar como o Menino das Histórias encontrou o Nalladigua. Ou será ao contrário? Um golpe de sorte? Descubra no conto “A Caverna de Gelo“. Fique de olho!

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A batalha (extrato)

 “Súbito, ele gelou de susto.
    Era o invunche!
   A criatura saltou para Pelume com um grunhido, as garras esticadas na direção de seu pescoço. Felizmente a terceira perna do arauto tropeçou no barco e o monstro caiu longe do menino, que agarrou o Nalladigua, pronto a usá-lo para se defender. No último momento, entretanto, titubeou. O invunche era medonho, mas bastou olhar seus olhos para Pelume compreender que ele um dia fora humano. Em seu coração acendeu-se uma chama de piedade. Foi Misqui quem saltou sobre a criatura e a jogou na água. De qualquer forma, era tarde: tinham sido descobertos!
   De algum lugar trás deles, ouviram aquele assobio maldito e medonho que tanto medo lhes havia causado no Pampa aberto. Os itinga relincharam horrorizados e, por um instante, cada um quis correr em uma direção. O grupo se deteve. O machí surgiu, montando aquela coisa que comandava, velha, horrenda, viscosa. O piguchén avançou. Tinha umas asas disformes como que de morcego, que ajudavam a prolongar seu salto. Com um golpe da garra afiada, o monstro destroçou os arreios de um dos itinga que puxava o barco da frente e cortou o pescoço do nobre animal, que caiu com um relincho de agonia.
   Saídos do susto, Abapera e Nhanderiquei se moveram em direção ao piguchén. A flecha do índio zuniu certeira, dourada, e cravou-se perto do olho saltado da criatura, que ganiu, surpresa. O machí atacou. O feiticeiro movia-se de maneira extravagante e sussurrava, sibilando sem parar. Quando menos esperava, Pelume sentiu uma ardência no braço esquerdo. Olhou, surpreso: um vergão desenhava-se ali, como se tivesse levado uma chicotada. Esse era um dos piores poderes do machí: ferir seu inimigo à distância!
O cavalo da canoa da frente, que agora estava sozinho, tentava escapar rumo ao centro do rio, mas as águas agitadas pelo poder do feiticeiro ameaçavam tragá-lo. Ele sobreviveria à súbita fúria das águas, com certeza, mas Nimbó não. Por isso, Nhanderiquei saltou sobre o animal, arrebentou as rédeas de couro com as mãos e empunhou seu arco e flecha.
– Pule para o barco de Abapera! – ordenou o primogênito com voz possante para o guarani. Quando o barco, arrastado pela corrente, passou perto de Pelume e Misqui, o garoto saltou para ele sem hesitar. A canoa, cheia de gente, oscilou perigosamente, ameaçou adernar, depois endireitou-se, mas estava tão carregada que as ondas entravam facilmente pela proa. Abapera fez a única coisa que lhe restava fazer. Atirou as rédeas dos itinga nas mãos de Nimbó, passou a mão na cabeça de Pelume e saltou para as macegas da margem.
– Vão embora! Para o norte! Agora! – ordenou, impedindo uma investida mais ousada do piguchén e do machí, cuja face, horrenda, desfigurada pelo corte do anzol de Pelume, rosnava encantamentos. O golpe da lança do gaúcho resvalou no pelo curto que cobria o bicho monstruoso e a criatura voltou-se para ele arreganhando os dentes. Com uma bocada estraçalhou a lança e Abapera ficou apenas com um facão para defender-se. Nhanderiquei tentou acertar o machí pelo outro lado, mas neste momento uma sombra saltou sobre ele. Era o invunche!
– Seu aprendiz de feiticeiro! Passe-me o corno dourado! – vociferou o machí, saltando do dorso do piguchén e correndo na direção do barco de Pelume.
– Não tenho nada que você possa querer! – gritou o menino. No salto seguinte, o machí estava dentro do barco. Um gesto seu e a água cresceu feito enchente.
– Não voltarei a pedir! – berrou o bruxo e um arranhão ainda mais profundo cortou o peito do menino. Pelume cruzou o Nalladigua diante de si, sem pensar, e a madeira frágil de alguma maneira funcionou como escudo. O arranhão deteve-se pela metade e o homem grunhiu. Neste momento, uma onda maior bateu contra o barco e arremessou Pelume aos pés de Nimbó, que deu rédea aos cavalos. O tranco do barco fez com que o machí se desequilibrasse e caísse no rio revolto. O feiticeiro ainda conseguiu agarrar a ponta do Nalladigua, na queda, e por pouco não o levou consigo, mas Pelume o puxou do outro lado, com força. Então as águas embranqueceram de súbito e o corpo do machí foi jogado contra o piguchén, que continuava enfrentando Abapera junto ao rio. Nimbó não esperou para ver o que ia acontecer: gritou para os itinga e ganhou a corrente do rio rumo ao norte, mergulhando no anoitecer.
Tinham conseguido avançar até uma curva e a noite crescente ocultava-lhes o local do embate. Inesperadamente o céu tingiu-se como o alvorecer, e por um instante pareceu que o Sol se acendera em pleno campo. Ouviram uma grande explosão e um grito
– O que foi isso? O que aconteceu? – perguntou Misqui, temerosa.
– Vamos voltar! Pode ser Nhanderiquei! Pode estar pedindo ajuda! – gritou Pelume.
Nimbó freou os itinga com força. Olhou para trás a tempo de ver a luz dourada se apagar.
– Ayú! Era Nhanderiquei! – gemeu o guarani.
Quis voltar. Chegou a dar a volta. Mas se deteve. Um assobio frio e perverso varreu o campo seguido de um silêncio de morte.”

O Nalladigua – Os Sóis da América – vol.1 – Simone Saueressig

Um beijo, pessoal!

E lá vem ele, de novo, esse tal de Ano Novo.

Olhando bem, troca só uma folhinha de calendário, é só outro dia mais. Sai um “31” e entra um “1º”. Simples assim. A gente é que sobrecarrega o coitado com um monte de desejos, ânsias, sonhos, como se o próximo nascer do Sol fosse uma coisa mágica.

Só tem uma coisa “mágica” capaz de mudar nossas vidas: nós mesmos. E isso não precisa acontecer em um 1º de janeiro. Pode acontecer em qualquer momento, de qualquer ano. É a gente quem decide: deste momento em diante, isto, aquilo, aquele outro, muda em minha vida. Um resgate, uma descoberta, um aprendizado, uma decisão. Tudo, tudo isso, depende de nós. É como um jogo de xadrez, entre a gente e o Universo. Fazemos nossa jogada, ele responde com a dele. Às vezes ganhamos, às vezes perdemos, mas, seja lá o que for que aconteça, só não escreve a sua história quem fica entocado na sua Caverna Mais Alta do Mundo.

Os que saem por aí, atrás dos seus sonhos, no mínimo, ganham o mundo.

Um beijo, pessoal!

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Fogo Novo

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Hoje é um dia especial para mim.

Como sabe quem leu “O Coração de Jade” ou entende algo da civilização mexica, no final de um período de 52 anos os astecas realizavam uma importante cerimônia: o Fogo Novo. Era um momento tenebroso nesta cultura que nos parece muito assustadora, com seus sacrifícios humanos, guerras e deuses exigentes. Mas também era um momento de renovação, nesta mesma cultura que nos ensina que homens e deuses são igualmente responsáveis pela existência e pelo equilíbrio do Universo – que é a coisa mais importante que aprendi lendo sobre ela.

No final de um período de 52, os mexicas apagavam todos os fogos do território mexicano. A noite era mais escura e assustadora do que nunca e as crianças que dormiam neste período viravam ratos – essa era uma das muitas coisas em que eles acreditavam.

Mas no final desta noite terrível, acendia-se, novamente o fogo do templo central da Cidade do México. E todo mundo vinha pegar uma isca de fogo para levar para sua casa, onde se acendiam os fogões e lanternas. E mais um ciclo de 52 anos se iniciava.

Ontem à noite, foi a minha cerimônia de “fogo novo”. Não arranquei nenhum coração de peito algum, e dormi como uma ratinha no ninho. Completei 52 anos de vida na virada da madrugada. Começo, então, hoje, um novo ciclo.

Sim, hoje é meu aniversário. E eu o celebro com especial alegria. Que venha um novo período de 52 anos, cheios de vida, amor e saúde. É tudo o que peço ao Universo.

Um abraço a todos os que curtem “Os Sóis da América” e seus personagens. Obrigada por fazerem parte desta história. Vocês são um dos melhores presentes que eu poderia receber da vida. Um beijo a todos.

“Tá na mesa”, edição de Natal

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No próximo dia 17, à partir das 15h, estarei no Suave Café (Av. Maurícios Cardoso, 2120, em Hamburgo Velho, Novo Hamburgo), realizando mais uma edição do “Tá na  mesa”, um evento informal, durante o qual os presentes poderão bater um papo amigável comigo, e, se quiserem, adquirir algum livro e levar para casa um autógrafo com dedicatória – aliás, um livro com dedicatória, autografado pelo autor, é um belo presente de Natal, fica a dica. apareça! Os três primeiros compradores que levarem a saga completa de “Os Sóis da América” levarão para casa um marcador artesanal, exclusivo.

 

Um pouco de fantasia americana nas telas

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Fui assistir “Animais Fantásticos e onde habitam o filme baseado na obra de J.K. Rowlling, com roteiro da própria autora, já sabendo que haveria um “bicho” fantástico americano. Eu estava louca para ver qual deles havia sido escolhido para a trama e não me decepcionei. O único que me deixou meio triste foi saber que dentro da sala de cinema lotada, talvez eu fosse a única a reconhecer a criatura e curtir o belo efeito especial com alegria (os demais ficaram encantados, eu sei, mas não creio que tenham reconhecido o Jojo de Sílex Vermelho).

Então, como eu acredito no diálogo das coisas culturais, deixo aqui um pedacinho de A Pedra da História, onde aparece a criatura magnífica de “Animais Fantásticos”. Não deixe de assistir ao filme. Além dos efeitos especiais, há uma mensagem realmente grande e importante para todos nós.

“- Vejam! – gritou Sílex, de repente. Ele apontava adiante, para o céu, e estava muito entusiasmado. – Vejam só aquilo lá! Oh, eu sabia que eram eles, eu sabia!

Os Três do Sul olharam na direção em que o amigo indicava e viram, lá no alto, um pássaro. Parecia um bicho bem grande. Súbito, um raio brilhou e por um instante as crianças acharam que o animal tinha sido atingido pela descarga elétrica. Mas quando o clarão esmaeceu, viram que ele continuava lá, e na batida de suas asas, ressoou um trovão

-Um pássaro-trovão! – gritou Sílex. Voltou-se para os amigos com um brilho novo nos olhos. – Que maravilha!

Outro relâmpago varou o céu.

-Seja lá quem for, terminará depenado por algum raio se não descer logo – observou Pelume depois que o crepitar do estrondo diminuiu.

Sílex riu:

-Não, você não entendeu! É ele quem faz o raio! O trovão é o som do bater de suas asas!”

A Pedra da HIstória – Os Sóis da América, vol. 4

O urubu-rei volta em outro mito sobre o Sol

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Quando retorna ao mundo andino, no início de “O Coração de Jade” Pelume encontra Furufuhué transformado em uma bela onça parda, um puma, chamado Chuquichinchai. Durante a conversa (bastante amarga, diga-se de passagem) entre os dois amigos, surgem algumas informações sobre como algumas tribos do sul do continente americano imaginam ser, ou ter surgido, o Sol. Um dos citados é o povo Carajá, e o seu mito Rarãsesã.

Os carajás acreditavam que seu primeiro ancestral tivesse vindo de um mundo subterrâneo, origem de todos os carajás. Essa ideia de que os homens teriam vindo do interior da terra (uma caverna ou um buraco que levaria a um mundo interior) é bastante comum. Os kaigangues, aqui do Rio Grande do Sul, acreditavam em um mito parecido, alguns mitos incas diziam que os homens teriam vindo de dentro de uma caverna, assim como diziam ter acontecido com os mexica, os astecas. E também, algumas tribos do sudoeste norte-americano contavam histórias assim, como os povos que viviam na região do Grand Canyon. Daí, talvez, a ideia de que o planeta seja oco e que há várias entradas para esse mundo interior distribuídas por aí, inclusive no Polo Norte, que foi uma ideia que circulou muito nos meios esotéricos há alguns anos.

Diziam os carajás, que um ancestral seu conseguiu sair de um buraco, certa feita, passando do mundo subterrâneo para o exterior, onde, então se deparou com tudo – ou quase tudo – o que existe. A floresta e o rio existiam, mas não existiam muitos animais. Tampouco o sol ou a lua e, portanto, o mundo estava mergulhando numa profunda escuridão, onde apenas as estrelas brilhavam nas profundezas da noite mítica. O ancestral teve uma ideia: em algumas histórias ele chamou Rarãsesã, que como os carajás chamam o urubu-rei em sua língua. Em outras versões, mais antigas, o ancestral deitou-se no chão e fingiu-se de morto. Em todo o caso, Rarãsesã apareceu, ao cabo de algum tempo e o ancestral o agarrou, porque sabia que o urubu-rei tinha o Sol com ele (mais ou menos como os gêmos míticos dos kamaiurás, Kuat e Iaê. Veja o post, AQUI). Na versão mais antiga, o ancestral arranca a cabeça do nobre animal, e com isso, conquista o Sol. No mito que usei de referência, e que é considerado mais atual, o ancestral consegue que Rarãsesã lhe dê o Sol, que, assim como a Lua, é um enfeite de sua cabeça pelada. Por isso, Furufuhué, transformado em Chuquichinchai, diz à Pelume que “o Sol é um enfeite na cabeça de um deus chamado Rarãsesã”. Eu gostaria de ter dado um jeito de colocar todo mundo na jornada de Pelume, mas não foi possível. Por isso, deixo aqui a referência ao mito desse importante povo sul-americano.

Se liga na promoção!

Está a fim de levar esse lindo marcador de livros artesanal, exclusividade de “Os Sóis da América”? É fácil: 1) coloque na web uma resenha sobre a série completa, ou sobre o volume de “Os Sóis da América” que você mais curtiu 2) publique o link  na página da série no Facebook (https://www.facebook.com/soisdaamerica/).
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Se liga…

Pessoal, eu tenho apenas alguns conjuntos completos de “Os Sóis da América“. Portanto, se você quiser adquirir o seu, lembre que as vendas acontecem apenas via internet. Vá para a Livrara do http://www.porteiradafantasia.com (clique AQUI) e adquira o seu, através do PagSeguro. Olhe com cuidado, que tem promoção. Corra, antes que acabe!

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O mundo é criado pelo “espuma do mar”

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Em sua viagem através do mundo andino, Pelume se depara com o mito da Criação através dos olhos dos Incas. E o que ele ouve em um sonho é mais ou menos o que os habitantes do Tahuantinsuyu acreditavam ter acontecido no início de tudo:

“Quando ainda não havia nada, havia Viracocha, que era um deus. Ele criou o céu, o mar e a terra, tudo o que há, na mais profunda escuridão, porque para aqueles tempos não havia, ainda, nem Sol, nem Lua. Ele não sentia falta da luz, podia fazer tudo no escuro mesmo. Assim, ele tentou povoar a terra pela primeira vez: esculpiu gigantes de pedra, que eram muito poderosos e muito mais altos do que ele. Mas ficou com receio de dar vida à criaturas muito maiores do que ele.Então os destruiu e fez outras criaturas, seres do tamanho dele. Foi assim que Viracocha criou os homens.

Depois que eles tinham sido criados, Viracocha os reuniu e lhes disse que fossem honestos, bons e trabalhadores, e que o adorassem até o final dos tempos, coisas com as quais todo mundo concordou. Mas foi só ele virar as costas para todos esquecessem a promessa. Viracocha ficou furioso e transformou os devassos em pedras, os pecadores em animais e jogou os demais em fendas profundas. Depois fez acontecer o dilúvio, que cobriu até as mais altas montanhas com água. Salvou apenas três homens, com os quais decidiu refazer a humanidade.

Depois que as águas do dilúvio secaram, Viracocha e seus três criados viajaram até o Tititcaca, que é o lago mais alto do mundo. Dizem os povos incas que lá já existia uma cidade e foi para lá que o deus foi para recriar o homem. Mas desta vez, que era a terceira Criação, Viracocha resolveu primeiro fazer o Sol, a Lua e as estrelas. Ou seja, primeiro ele criou a Luz. Ao Sol ele chamou de “Inti”, que também é um deus. É dele que os imperadores incas diziam descender. Inti é como um pássaro enorme, que segue sempre o mesmo caminho no céu, seguindo as ordens de Viracocha.

Nesse meio tempo, um dos criados de Viracocha, um dos três homens que ele havia salvado do dilúvio, foi tomado de orgulho. Foi se tornando cada vez mais desobediente e por isso o deus e os outros criados o amarraram em uma balsa e o soltaram no Tititcaca. Só então é que Viracocha refez a humanidade. Primeiro ele escreveu em uma pedra polida o nome de todas as nações que ia criar. Depois ele foi desenhando todos os homens, gordos, magros, altos, baixos, de todos os jeitos. Cada vez ele ia soprando sobre o desenho e lhes proporcionando vida e alma. Ordenou-lhes que fossem viver no mundo, iluminados pelo Sol, de dia, e a Lua e as estrelas, à noite, que fossem bons, honestos e trabalhadores. E que o adorassem até o final dos tempos. Naquela época, todos os homens falavam a mesma língua, mas depois que eles partiram da cidade que existia antes das estrelas do céu, esqueceram dela, e cada um criou o seu idioma. Por isso os homens, hoje, falam diferentes línguas.

E mais uma vez, os homens esqueceram as promessas de serem bons, trabalhadores e amarem Viracocha, ao ponto de um certo dia, quando o deus chegou a um povoado, as pessoas que lá viviam tratarem-no muito mal. Ele ficou zangado de novo. Ordenou que descesse do céu uma torrente de fogo, que queimou os campos que as pessoas cultivavam. Depois veio outra torrente, que consumiu as cabanas onde as pessoas moravam. Veio, ainda, uma terceira torrente de fogo, que consumiu as próprias pedras. Só que desta vez o deus ficou com piedade dos homens que havia criado e conteve a sua cólera. Assim, a humanidade se salvou.

Depois disso tudo, Viracocha andou até o mar. Antes de partir, falou para os homens e mulheres que o haviam seguido até lá. Disse que ia embora, mas que um dia lhes mandaria um mensageiro divino. E finalmente entrou no mar e andou em direção do horizonte, até se desfazer em espuma. Por isso o povo o chama de “Viracocha”, que quer dizer, ‘espuma do mar’.”