Lugares de Sonho

Spider Rock


Não, ela não aparece com esse nome, em A Pedra da História. Mas é um importante cenário para o desenrolar das aventuras dos Três do Sul em território norte-americano. A Spider Rock é um impressionante pináculo, constituído de duas agulhas de pedra. A mais alta dela era considerada a casa da “Avó-Aranha”, que é como o povo navajo conhece a Mulher-Aranha (veja mais sobre a personagem no verbete correspondente, na aba “Seres de Sonho e Pesadelo”. Este é um lugar sagrado, que fica no território de Dinétah. Os navajos acreditavam que ali era o centro do mundo.

Se isso é verdade, depende muito do ponto de vista. Em todo o caso, a Spider Rock é uma impressionante agulha de pedra de 229 metros de altura, localizada no Canyon de Chelly e tem mais ou menos 230 milhões de anos de idade. 

 

Pi-sis-bai-ya

Ou Pisisbaiya, é como os hopi chamam essa maravilha que se encontra em seu território, e que nós conhecemos como Grand Canyon. Formado pela erosão do Rio Colorado, que se vê no fundo de seus paredões de arenito, esse conjunto de vales é um autêntico livro aberto para o estudo de 2 bilhões de anos da história geológica do planeta Terra.

São aproximadamente 446 km de um imenso labirinto de até 1.600 metros de altura, com larguras que variam entre 6 e 29 km de uma margem à outra.

Como não podia deixar de ser, muitas lendas explicam o aparecimento do Pi-sis-bai-ya. Algumas são relacionadas com a criação do homem (teria sido por ali que os antigos homens teriam emergido do mundo inferior para a superfície da Terra) e outras ligadas ao mito do Dilúvio Universal, que também figura nas histórias indígenas. Nesta última história, ao ver o mundo coberto pela água, um guerreiro teria cravado sua faca na terra molhada e a remexido até abrir um grande buraco, por onde o líquido todo escoou, desenhando, assim, os profundos abismos que caracterizam esse incrível lugar.

 

Espelho das Estrelas


O “Espelho das Estrelas”, citado pela Mulher-Aranha em A Pedra da História  é uma referência ao território sagrado dos lakota, nos Estados Unidos. Refere-se às Black Hills, uma formação rochosa muito peculiar, no meio das Grandes Planícies. As Black Hills são estão cobertas de árvores, razão pela qual os habitantes originais do continente se referem à elas como “uma ilha de árvores cercada por um mar de relva”.

É ali que os lakota realizavam algumas de suas mais importantes cerimônias religiosas.Eles também chamavam este lugar de “o coração de tudo o que é”. Os lakota relacionavam as estrelas e seus movimentos  celestes com os pontos geográficos das Black Hills, acreditando assim que o céu estrelado tinha um “reflexo” na Terra. Daí o termo.

Dibé Nitsaa, Doko’oosliid, Tsisnaasiini, Tsoodsil

Bem, sim, esses nomes são um desafio. Mas eu não podia deixar de colocá-las aí: a Montanha de Obsidiana (Hesperus Mountain, no estado norte americano do Colorado), a Montanha Concha de Abalone (picos de San Francisco. “Abalone” é um tipo de molusco, de várias espécie comestíveis e suas lindas conchas muito utilizadas para a confecção de jóias. Os abalones podem ser encontrados na Baía de San Francisco. Mas nesse caso, a cor associada é o amarelo, porque as montanhas de San Francisco estão cheias de olmos, uma árvore que, no outono, fica com as folhas amareladas), a Montanha Concha Branca (Blanca Peak, o quinto maior pico das Montanhas Rochosas, localizado no estado do Colorado) e Montanha Turquesa (Mount Taylor, no Novo México) respectivamente, os quatro pontos que delimitam o território sagrado do povo navajo: Dinétha.

Dinétha, ou Diné tha ou Dinétah, é a pátria ancestral dos navajo. Era um território imenso. As quatro montanhas tinham a função de delimitar a área, e cada uma delas está associada a uma cor e possui uma história linda. Só para deixar o gostinho de “quero mais”, Dibé Nitsaa, a Montanha de Obsidiana, estava associada à cor negra. Mas essa não é sua cor original. Dizem que o Primeiro Homem, quando a criou, amarrou-a ao chão com um arco-íris. Depois a cobriu de escuridão.


Canyon do Antílope


Bom, em primeiro lugar, é preciso sempre ter em mente que o “mapa” de Os Sóis da América não é o mapa real da América. Mas é possível encontrar na realidade, alguns lugares que aparecem no livro e o Canyon do Antílope é um desses lugares.

Lembro que a primeira vez que vi uma foto desse lugar incrível, achei que era uma arte gráfica. Foi só mais além que eu me dei conta de que ele existia de fato e que, melhor ainda, fazia parte da geografia da América. Não resisti à tentação de colocá-lo na história, nem que fosse em um pedacinho.

O Canyon do Antílope aparece em A Pedra da História. Ele é a finalização da gruta a Mulher-Aranha e é por ali que os Três do Sul e Sílex Vermelho saem com a pedra da história na mão – mas sem saber ler o que está escrito ali.

Na vida real, o Canyon de Antílope fica no Arizona, em território navajo. É um dos lugares mais visitados pelos fotógrafos, em função de suas paredes cor de salmão, tão suaves e curvilíneas quanto um tecido e os incríveis efeitos luminosos que elas provocam quando o sol bate sobre elas. Ele é dividido em duas partes, o “Canyon do Antílope Superior” e o “Canyon do Antílope Inferior”. Ou, no idioma navajo, “Tsé bighánílíní”, ou “lugar onde a água corre entre as rochas”, e “Hazdistazí”, ou “arcos de pedra em espiral”, respectivamente. O canyon foi criado à partir da erosão criada pela água nas rochas. O Tsé bighánílíní é a parte mais visitada pelos turistas, por causa da facilidade de acesso. Outra curiosidade é que o sol incide justamente no canyon, penetrando em seu interior e criando incríveis cenários luminosos, entre 20 de março e 07 de outubro.

O único problema de visitar o canyon é que de vez em quando ocorrem inundações. Às vezes a chuva nem acontece na área do parque, mas nas montanhas, e causam o alagamento do canyon, formando, inclusive, corredeiras. Por isso, só é possível visitar a área acompanhado de guias que conhecem tudo como a palma da mão.


Teotihuacan

Ei-la, o Lugar das Trevas, o Lugar Onde o Tempo Começou. Afinal, foi aqui que Nanauatzin se jogou em uma fogueira, à mando de seus irmãos, e ergueu-se transformado em Tonatiuh, o próprio Sol, o quinto sol da cultura asteca.

Teotihuacan foi um importantíssimo centro religioso anterior aos astecas, que teve vida própria entre o ano 100 a.C. e o ano 550 d.C., quando foi saqueada e queimada. Mas sua vida perdurou até o século seguinte, quando foi, finalmente, abandonada.

Centro de um estado, ela tornou-se rapidamente um centro de adoração e estudos. Milhares de pessoas convergiam para Teotihuacan a fim de aprender com os sábios que lá viviam e ensinavam. Calcula-se que em seu apogeu viveram aproximadamente 125.000 pessoas ali.

Hoje ela é o lugar mais visitado do México, localizando-se há 50 km da capital. Você pode ir, inclusive, de ônibus! Monumento tombado pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade (sim, mais um. A América está cheia deles e eles são de todos nós), a área abrange aproximadamente 83 km² de muita cultura e aventura. Lá, você pode subir as pirâmides do Sol e da Lua, visitar o palácio de Quetzalpapalotl, e, é claro, o templo de Quetzalcoatl, que foi encontrado em 1920, sob uma pirâmidade paredes lisas.

Talvez você esteja se perguntando (bem, eu me perguntei), porque os astecas não se instalaram em Teotihuacan quando chegaram à região. Afinal de contas, a cidade abandonada estava prontinha, feitinha, só esperando por seus habitantes. Porque eles preferiram ficar em um lago de águas salobras, em um autêntico pântano que causava inundações e secas, e dificultava tanto a vida deles que terminaram construíndo uma cidade sobre as águas?

A resposta é muito simples: respeito. As imponentes ruínas devem ter causado no coração dos recém-chegados ao vale do México o mesmo que causa os visitantes, quando eles pisam na calçada larga da Avenida dos Mortos, até hoje: um bater forte de coração e a lembrança de que os que foram antes de nós nos legaram coisas, mas não as deram de presente. O caminho mais sábio de cada povo, é fazer o seu próprio destino.


Tenochtitlán

Localizada sobre o lago Texcoco (sim, eu disse sobre), Tenochtitlán, a capital do reino mexica, tinha cerca de 300.000 habitantes quando os espanhóis chegaram à ela. Era o dobro de grande do que Teotihuacan em seu apogeu.

Tenochtitlán começou a ser construída em 1325, quando foi fundada sobre uma ilha que, afirmavam os sacerdotes astecas, tinha sido escolhida pelos deuses para que seu povo ali se estabelecesse. O lugar era inóspito, pouco mais do que um pântano de águas salgadas, já que Texcoco é um lago fechado, sem curso d’água que o alimente. Ao mesmo tempo, ele está localizado abaixo do nível do leçol freático. Por isso, as inundações eram frequentes. Os astecas tiveram de criar um sistema de diques e canais que lhes permitia controlar o nível da água. Por outro lado, por causa da salinidade da água do lago, não era possível usá-la para o consumo ou para regar os cultivos, de modo que os asteca desenvolveram, ainda um sistema de aquedutos que lhes trazia água pura e fresca de fontes situadas há alguns quilômetros de distância. Os aquedutos possuiam dois canais de irrigação que levavam a água até o centro da cidade, onde era distribuída em fontes. Eles os construíram assim, para que a manutenção de um canal não afetasse a população. Enquanto um dos canais era limpo, o outro continuava a fornecer água. Foi a necessidade desse recurso natural insubstituível que levou os astecas a crescer como reino. Talvez se possa dizer que a necessidade de água dos astecas tenha levado à primeira guerra por água de que se tem notícia. De qualquer maneira, quando Cortez chegou com seus homens, dois séculos depois, a pequena aldeia que enfrentava sérios problemas com o entorno ecológico havia se tornado uma cidade pujante, que incluía largos canais e jardins cultivados em ilhas artificiais, grandes templos, praças, fontes e tudo o que se espera encontrar em uma grande cidade.

O reino asteca foi tomado pelos espanhóis em 1521. Tenochtitlán foi incorporada ao reino de além-mar, e passou a ser a sede do governo na região do México. Seus edifícios originais foram arrasados e sobre suas fundações foram erguidos outros edifícios e templos cristãos. Hoje, inclusive, o lago de Texcoco nem existe mais, tendo sido drenado, na tentativa de acabar com as inundações que ele periódicamente provocava na Cidade do México. Contudo, isso levou a outro tipo de problema: a região em torno da antiga capital asteca tornou-se semi-árida e a cidade está afundado vários centímetros por ano.



Tahuantinsuyu


Tawantin, em quínchua, significa “grupo de quatro coisas”, e suyu, “região” ou “província”. Assim Tawantinsuyu ou Tahuantinsuyu, significa, literalmente, “quatro regiões”. Este é o significado literal do nome do país governado pelos Incas entre os séculoso XIII e XVI. A região, em seu auge, abrangia uma região de 4.500 km de extensão por 400 km de largura, na costa oeste do continente sul-americano.

Os Incas eram um povo empreendedor e ativo, que expendia seu território rapidamente. Falava-se mais de 700 idiomas dentro do território, mas o dominante era o idioma quíchua, seguido pelo idoma aymara, os dois maiores grupos etnicos do império.

Os incas nos legaram muitas coisas interessantes. Além de ruínas localizadas em lugares magníficos, como Machu Pichu, e as incríveis estradas que interligavam o reino, percorrendo milhares de quilômetros perfeitamente pavimentados, os incas nos deram dois alimentos muito populares: o milho e as batatas.

Sim, aquela simples batatinha frita que você adora comer enquanto toma um refrigerante, é uma herança inca!

Eles mantinham a “correspondência” em dia usando quipus, e os enviavam entre as províncias através de “chasquis”: homens que se movimentavam rapidamente entre uma localidade e outra, através das estradas. Mas sem carro usassem rodas, nem cavalos, porque nenhum deles era conhecido na América antes da chegada dos espanhóis. Uma curiosidade: todas as estradas terminavam (ou começavam, depende do ponto de vista) na capital do império, Cusco, o “umbigo do mundo”, como era conhecida. Eles desenvolveram importantes sistemas de irrigação, para levar a água até suas plantações, que eram realizadas em sistema de terraços, muitas vezes artificiais, o que permite o reaproveitamento inteligente desse precioso líquido.

O império inca era muito rico em minérios caros, como o ouro e a prata, e isso despertou a ambição dos europeus, que terminaram arrasando o reino. O último imperador inca foi Atahualpa, que foi morto em 1533 pelos espanhóis, após uma guerra que durou menos de um ano.

Popocatepetl

Um lugar, um personagem. Como muitas montanhas e vulcões da América do Sul e Central, o Popocatepetl é mais do que um simples vulcão: ele é o guerreiro apaixonado da história que Aca conta aos Três do Sul em sua subida ao monte.

Geograficamente falando, Popocatepetl é um dos vulcões mais ativos do México. Ele se localiza a pouco mais de 60 km da capital, Cidade do México, erguendo seu cume a 5.426 metros de altitude. Em 1994 ele voltou a ter atividade sísmica, depois de 50 anos de “cochilo”. Em 2004 ele entrou em erupção novamente, e, segundo os pesquisadores, ela continua acontecendo. Como você pode ver, nem sempre uma erupção é aquele espetáculo mortal de lava e gazes venenosos. Seu nome, em nahuatl significa “montanha fumarenta” e ele tem um vizinho, de fato, adormecido, de pico coberto de neve, chamado Iztaccihautl, e que é, segundo a lenda, a sua amada morta, transformada em montanha. Ele é tão popular que há várias webcams o vigiando a todo momento e você pode entrar em alguma delas, se quiser, para “visitar” esse magnífico guerreiro enamorado.


Nemontemi


O nemontemi tem um papel tão importante na história de O Coração de Jade  que resolvi dar uma paradinha nesta grande viagem para falar um pouquinho mais sobre eles.

Os astecas se guiavam por um calendário ritualístico, de 18 meses de 20 dias. Isso somava 360 dias em um ano. Contudo, os observadores do céu perceberam que manter aquele calendário sem correção terminaria gerando situações absurdas. Cinco dias em um ano são muita coisa. Pense que a cada quatro anos, os cinco dias “perdidos” poderiam gerar um mês asteca inteiro. E a cada 18 anos, mais ou menos, uma estação inteira trocaria de lugar no calendário” Isso faria com que, depois de algum tempo, as festas aos deuses das colheitas coincidissem com a chegada do inverno, e a entrada da estação fria seria comemorada com alguma cerimônia para alguma divindade ligada ao verão. Isso não podia ser admitido em uma cultura regida pela religião e pelas cerimônias de adoração aos deuses, como era a cultura asteca.

Dessa meneira surgiram os nemontemi, os cinco dias aziagos, que serviam para encaixar o calendário cerimonial, com o calendário astronômico, e garantir que os rituais permaneceriam ligados às estações do ano, ao movimento das estrelas e aos acontecimentos da Natureza.

Porém, apesar da sua importância, os nemontemi não gozavam de muita popularidade. Ao mesmo tempo em que eles não eram dedicados à nenhuma divindade, durante o seu decorrer não se realizava nenhum ritual e tampouco se realizavam as coisas do dia a dia. Não havia feira nos mercados mexicanos, nem qualquer tipo de festejo. Aos nascidos em alguns desses dias, eles acreditavam, esperava-os um destino infeliz. Fazia-se um esforço para não discutir, porque se acreditava que quem o fizesse, seria um resmungão para o resto da vida. E inclusive tropeçar, era sinal de azar. Ou seja: dar uma topada com o dedão já é dolorido… nos nemontemi, então, nossa! Era sinal de problemas à vista!


Cerro da Estrela

Sim, o lugar existe e você (sim, você), pode visitá-lo! O Cerro da Estrela fica a cerca de meia hora do centro da Cidade do México. E, sim, era lá que era realizado o sacrifício de um prisioneiro, há cada 52 anos, para garantir a continuidade do movimento do Sol no céu. O lugar era espaço de culto desde o ano 1.000 a.C.

Hoje, o lugar é muito conhecido e frequentado pelos amantes de caminhadas, pois além de oferecer uma vista maravilhosa do vale onde se localiza a Cidade do México, também possuí antigas ruínas do templo onde se realizava a Cerimônia do Fogo Novo. Você pode visitar o museu dedicado a esse momento especial da cultura mexica, e ver a entrada da Cueva del Diablo. Mas não vá se aventurar por ela! A Cueva del Diablo é um lugar onde já ocorreram muitos acidentes. Ela é uma entre as muitas cavernas do monte, e todas elas precisam ser vistas com um máximo de respeito e cuidado, já que são perigosas para entrar, e abrigam diferentes animais peçonhentos.


Tiahuanaco

Ou Tiawanaco, ou Tiawanacu, é uma cidade monumental na Ilha do Sol, no lago Titicaca. Ela também tem um nome aymara: Taipiqal, “pedra no meio”. É que os aymaras acreditavam que Tiahuanaco ficava no centro do mundo.

Suas ruínas encontram-se atualmente em território boliviano e foram encontradas pela primeira vez por um europeu, em 1549, por Pedro Cieza de León. Mas quando eles chegaram lá, só encontraram as mesmas ruínas que se vê hoje: o povo que ergueu essa incrível cidade, já havia desaparecido.

Um dos monumentos mais emblemáticos de Tiahuanaco, é a Porta do Sol, Inti-Puku. Conhecido como um portal dimensional entre os esotéricos (outro!),  foi esculpida em um único bloco de pedra, pesando entre 10 e 13 toneladas. Ela fazia parte de um edifício maior, mas ele não existe mais e tudo o que restou foram expeculações. Se tudo isso não bastasse, existem estudos que dizem que ela foi esculpida há cerca de 27 MIL anos atrás. Antropólogos garantem que o ser humano só apareceu na América há 12 mil anos. Então, quem poderia ter esculpido a Porta do Sol?! Outros estudos, porém, afirmam que ela foi esculpida em torno do ano 200 a.C.

Com certeza, maiores investigações a respeito destes misteriosos locais da América irão, um dia, nos contar coisas extraordinárias sobre o passado humano. Por enquanto, a gente só pode imaginar, sonhar e, se houver oportunidade, viajar para conhecer esses lugares simplesmente incríveis. Em todo o caso, a antiguidade de Tiahuanaco é reconhecida até pelas lendas: em várias delas, a grande ruínda é conhecida como “a cidade que havia antes das estrelas”.


Titicaca

Bem… este é realmente o lago navegavel mais alto do mundo. Localizado sobe a atual fronteira entre o Peru e a Bolívia, a 3.812 metros acima do nível do mar, ele é, também, o lar dos habitantes do Uros, espécie de ilha flutuante feita artificialmente de junco. Mas o Titicaca também possui 41 ilhas naturais, muito povoadas.

Este lago incrível foi formado, e é alimentado periódicamente, pelo degelo. E também dá origem ao rio Desagüadero, que por sua vez alimenta outro lago, o lago Popó.

Apontado pelas lendas como o local de origem do povo Inca (cujos primeiros reis teriam vindo de uma ilha situada no lago e conhecida como Ilha do Sol, onde se encontram os restos arqueológicos da cidade de Tiahuanaco), a área ao redor do Titicaca está cheia de ruínas. E o seu interior também, já que os pesquisadores encontraram os restos de um templo, 20 metros abaixo do nível da água! Segundo pesquisadores, o templo for erguido pela civilização tiawanacu, a mais antiga e uma das mais importantes de América do Sul, em uma época em que o nível das águas do lago estavam cerca de 30 metros mais abaixo do que na atualidade. Esta cultura despareceu repentinamente por volta do século XI. Os pesquisadores estão tendo compreender o que foi que aconteceu, mas o mistério permanece.


Chiloé


Chiloé não aparece diretamente em Os Sóis da América, mas é o berço do Machí e lar de dezenas de assombrações incríveis.

Chiloé é um arquipélago na costa sul do Chile formado por 30 ilhas que abrigam não apenas pessoas, mas uma grande variedade de fauna, na qual se destacam os pinguins e as gaivotas, além de ser ponto de parada para muitas espécies de aves migratórias. O nome “Chiloé”, deriva de “chile-hué“, que significa “lugar das gaivotas”.  Lá vivem aproximadamente 150.000 pessoas que são as herdeiras diretas de uma corte de criaturas mágicas e lugares cheios de histórias. Sua arquitetura típica é marcada pela construção de casas sobre palafitas, estacas de madeira que sustentam a construção e que avançam sobre as águas do Oceano Pacífico, e parte de seu patrimônio arquitetônico está tombado como Patrimônio Mundial da UNESCO.

Nas águas dos mares que contornam as ilhas do arquipélago, navega o Caleuche, um típico navio fantasma, e em seu território vive o Trauco, uma espécie de duende sem pés, que vive no interior de suas matas, entre inúmeras outras criaturas do imaginário popular. Na cidade de Castro, uma das principais, há, inclusive, uma estátua em homenagem ao camahueto. E em Chiloé que está a Cueva de Quincaví, a sede da ordem dos machís, os magos por excelência do continente sul-americano.

A Cueva fica nos arredores de uma localidade chamada Quincaví (daí seu nome) e é considerado “o salão do rei” da ordem dos magos. A gruta tem aproximadamente 200 metros de largura por três de altura, e está iluminada com tochas feitas com gordura humana (brrr). Obviamente, está guarda por um invunche.


Salto Ángel

Sim, o cenário onde termina A Flauta Condor é mesmo, a cachoeira mais alta do mundo! Situada na selva amazônica, no território da Venezuela, o Salto Ángel tem nada menos do que 979 metros de altura. Quase um quilômetro de queda d’água, gente!

Essa magnífica cachoeira se derrama em um altiplano chamado tepui, um tipo de formação rochosa que só acontece na América, as mais antigas montanhas de todo o planeta (mesmo!). Só para você ter uma ideia, o Monte Roraima, o ponto mais alto do Brasil, é um tepui. E é vizinho do Auyantepui, a “Montanha do Mal”, dos pemon, o povo indígena que vive naquela região. À cachoeira eles chamavam “Kerepakupai-meru“, a “queda de água até o lugar mais profundo”.

Alguns históriadores atribuem ao explorador Ernesto Sánchez o primeiro relato da Kerepakupai-meru, em 1910, mas a cachoeira só ganhou esse nome que a identifica hoje em 1937, quando o aventureiro Jimmy Angel pousou no alto do Auyantepui. A aterrissagem foi mais ou menos bem sucedida, e embora não houvessem vítimas, o avião fico lá em cima, impossibilitado de levantar vôo novamente. Quando a gente vê imagens do terreno acidentado, fica fácil de entender o porquê.

Marcauasi


Este é outro daqueles lugares mágicos da América, mas que, atualmente, anda meio esquecido. O Platô de Marcauasi ( ou Marcahuasi ou Marcawasi) está localizado no Peru, a 4.000 metros acima do nível do mar. São 4 km² de formações rochosas muito interessantes, que lembram animais (inclusive animais que nunca existiram na América) e, até a face humana.  O detalhe impressionante, é que, conforme o Sol se movimenta no céu, mudando as sombras de lugar, o “rosto” para ir mudando de forma (o que acrescentei a um dos sonhos de Pelume, em A Pedra Condor. Ao norte desse território há um conjunto de ruínas, e nas profundezas do local, dizem os habitantes das zonas próximas, há cavernas. que seriam o portal (mais um) para outras dimensões.

Em todo o caso, o local é muito antigo. Era território de uma cultura chamada Masma, que teria existido há 10.000 anos! Os nativos dizem que as pedras que hoje se supõem uma formação rochosa de origem natural, seriam, na verdade, as ruínas de uma cidade muito antiga, construída por gigantes.E, inclusive, existem vídeos onde os tais gigantes apareceriam, circulando pela web…

Potosí


“Prata para Potosí?” pergunta Taki, bem-humorado e irônico a Coquena. Afinal, Coquena sempre está levando prata para que os veios desse belo minério, dentro das minas de Potosí, jamais se esgote!

Potosí é uma localidade na Bolívia, a quase quatro mil metros acima do nível do mar. Ela foi fundada em 1546, mas o rico filão de argentum já era conhecido pelos Incas. No século XVII era a segunda maior e mais rica cidade do mundo, logo atrás de Paris. Tudo porque suas minas de prata, a maioria delas localizada no Sumaj Orco, o grande monte que domina a cidade. Contudo, hoje em dia não é apenas a prata que mantém os quase 200.000 habitantes da cidade, mas, também, o turismo. Potosí conta com um importante patrimônio arquitetônico, tombado pela Unesco.

Além de tudo isso, Potosí também é terra de lendas. Não apenas a de Coquena e seu carregamento atado com serpentes, mas de criaturas misteriosas que viveriam nas minas, às vezes sugando o sangue dos mineiros. Dizem que se ouve marteladas em algum lugar do interior das galerias das minas, sem que haja ninguém por lá, trabalhando…

Também dizem que o primeiro a descobrir a prata em Potosí foi um pastor de lhamas. Ele teria resolvido passar a noite por ali, e feito uma fogueira. Na manhã seguinte, percebeu que havia pepitas de prata entre as brasas. É que a prata era tão aflorada no solo, que ao fazer sua fogueira, ele derreteu o minério sem querer e formou os pequenos pedregulhos preciosos. Também dizem que o Inca tentou explorar a riqueza, mas que o próprio monte o teria expulsado com uma explosão, “p’utuqsi“, em quíchua, palavra de onde viria o nome final a cidade.


Paititi – Eldorado


Não sei se estou dizendo alguma bobagem, mas acho que este é o reino mítico americano mais famoso de todos! Eldorado, o lugar da Manoa, a rica capital de Paititi, o reino onde todas as construções eram cobertas de ouro, porque esse era o metal mais abundante da região.

Imagine o que isso causou aos sonhos ambiciosos dos aventureiros europeus: pura febre!

A história começou a circular mais ou menos em 1530. Afirmava-se que em algum lugar havia uma cidade às margens de um lago (o lago se chamava Manoa), onde acontecia um estranho e maravilhoso ritual, todos os anos: o soberano daquele reino cobria seu corpo com pó de ouro (daí o nome el dorado, que significa “o dourado”, em espanhol). Em seguida, um barco o levava até o centro do lago, onde, então, ele mergulhava para limpar-se do pó dourado, significando assim, a purificação de seu próprio corpo e de todo o reino de injustiças, tristezas, calamidades, etc. Atrás dele, os sacerdotes locais jogavam centenas de oferendas das famílias locais: baixelas em ouro, jóias, tecidos precioso, estátuas, tudo, enfim, que fazia fervilhar a imaginação dos conquistadores. Daí que nunca mais eles deixaram de buscar essa fabulosa capital.

O problema é que ninguém sabia onde ela ficava. Alguns diziam que era no coração da selva amazônica, outra que às margens do Lago Parima. Nas matas da Colômbia, Equador, Peru, Guianas, e até no Brasil, homens cortaram as matas em precárias situações, tudo em busca desse magnífico local.

Outra lenda muito semelhante é a de Paititi, uma cidade Inca, perdida na mata entre a Bolívia e o Brasil. Ambas se confundem com suas construções cobertas de ouro e seus soberanos mergulhando em lagos com o corpo pintado de dourado.

Porém, por mais que os aventureiros a buscassem, Eldordo nunca foi encontrada, pelo menos oficialmente.

Em todo o caso, a lenda segue encantando gente disposta a tudo a para encontrá-la. E com isso quem ganham somos todos. Já foram descoberatos inúmeros sítios arqueológicos que contam a História dos povos amazônicos. Não se espante: a Amazônia não era tão desabitada assim, e nem todos os povos que lá viviam eram tribos tecnológicamente pouco desenvolvidas. Algumas eram bastante complexas e existem vários relatos sérios sobre uma estrada que atravessava o continente, dos Andes até algum ponto situado no leste, o que possibilitaria aos Incas efetuar comércio e trocas com povos muito distantes.

Quem sabe? Para nós, seres humanos do século XXI, o mais importante não é a descoberta da Manoa do Eldorado, mas a conquista de uma consciência de respeito e conservação da floresta e dos povos da floresta. Basta lembrar que mais de 400 espécies de criaturas vivas completamente novas, entre animais e plantas, foram descobertas entre 2010 e 2013, pela WWF.


Los Tayos


Que a América está cheia de lugares mágicos e incríveis, você já estar careca de saber. Afinal, para chegar até A Flauta Condor, Pelume já passou por pelo menos uma cidade mítica: Elelín, a Cidade dos Césares (veja abaixo). Mas, com certeza, ela não é a única.

Eu não podia deixar de lado um lugar como a Caverna de Los Tayos, para onde Uturunku planeja ir. Localizada na província de Morona Santiago, no Equador, a mais de 800 metros acima do nível do mar, em plena floresta virgem tropical, a Cueva de Los Tayos, já aparecia em relatos em 1860. Ela fica no que era, então, territórios do jívaros, um povo indígena conhecido por matar seus inimigos e reduzir a cabeça combatentes mais importantes e valentes, brrr…..

Em 1969, um aventureiro chamado Juan Móricz teria retirado da caverna um conjunto de folhas de ouro, com uma escrita misteriosa, estátuas antigas, e vários outros objetos em ouro, prata e bronze. Contudo, nenhum órgão ofcial levou sua descoberta à sério e Los Tayos permanece envolta em mistério.

Os especialistas em cavernas (espeleólogs), afirmam que ela tem mais de 200 milhões de anos. Suas formações internas são impressionantes, com salões de 300 metros de largura, e galerias com 9 km de extensão. Para chegar ao interior da caverna é preciso descer por uma “chaminé” de 68 metros de altura, pendurado numa corda. Tudo é espetacular na caverna, desde suas dimensões, até as formações rochosas que parecem ter sido feitas pelo homem, e os estalactites e estalacmites feitos, com certeza, pela Natureza. Sabe-se que, de fato, o interior de Los Tayos era utilizado como local de culto pelos jenívaros, que também entravam na cova para caçar tayos, as aves que fazem ninho em seu interior, e que faziam parte da alimentação desse povo.

A exploração mais séria e recente da gruta foi feita em 1976, quando exploradores britânicos a exploraram durante 35 dias. Dizem os especialistas que ela foi cavada pela ação da água. Mas quando se vê as imagens do seu interior… não sei não. A gente começa a pensar, mesmo, em portais dimensionais e mundos subterrâneos. Vai que essa turma dos esotéricos está certa?

Rios Bermejo, Bermejito e Teuco

Na região do El Chaco – nos Campos de Caçada – existe um rio muito interessante: o rio Bermejo. Ele nasce na Bolívia, na Serra de Santa Victoria, percorre uma boa distância até entrar em território argentino onde, na altura do Trópico de Capricórnio, se divide em dois, dando origem ao rio Teuco (que leva a maior parte da sua vazão) e o rio Bermejito (que é menor). Os dois caudais correm paralelos por mais de 800 km para voltarem a se unir na região de Concepción del Bermejo. Ele desagua no rio Paraguai,, na cidade de Pilar. Este incrível curso de rio também tangencia uma região chamada El Impenetrable, assim conhecida por sua vegetação agreste e espínhosa, que dificulta o avanço dos aventureiros, em seu território.

Tudo isso foi inspiração para inserir a história dos rios Bermejo e Bermejito em A Flauta Condor, depois que os Três do Sul sofrem uma aterrissagem forçada em plenos Campos de Caçada. A história que os gêmeos contam para Pelume e seus amigos sobre os rios, é a mesma que se conta na região, para explicar o surgimento dos rios e a cor vermelha das águas deles.



Espinha Branca


Do alto do céu, Pelume e seus amigos vislumbram, pela primeira vez… a Espinha Branca.

Os Andes.

A cordilheira dos Andes é uma formação rochosa que vai do sul da Patagônia (a Terra do Fogo seria o seu ponto mais ao Sul). São, ao todo, mais de 8.000 km de montanhas, passos nevados e pico, entre eles o Monte Aconcágua, de 6.962 metros de altitude. É a maior cadeia montanhosa do mundo, em termos de extensão.

Mas o bacana, bacana mesmo, é que se você pegar o mapa inteiro da América, vai se dar conta que o sistema montanhoso segue em direção ao Norte. Ele “abaixa” um pouco as suas altitudes na região da América Central, e volta a tomar suas altas proporções quando entra pelo território da América do Norte. Por isso, eu não poderia deixar de lado esse cenário sensacional.

A cordilheira andina foi formada pelo choque de duas enormes placas tectônicas: a Placa Nazca, que se move do Oceano Pacífico para o continente, e a Placa Sul-Americana, que se move na direção contrária. Por isso existe tanta atividade vulcânica ao longo de toda a cordilheira, que conta com vulcões famosos como o Parinacota (o mais alto), o Cotopaxi, o Chaitén ou o Osorno. Também é relativamente comum a ocorrência de abalos sismicos de intensidade moderada e até a ação dos famosos tsunamis, aquelas ondas que podem acontecer depois de um terremoto com epicentro no mar.

Ah, por certo… por falar em vulcões, sabe que existe um, chamado Uturuncu (o mesmo nome de um dos personagens de A Flauta Condor, mas foi coincidência, tá?)? Ele está “dormindo” há 270.00 anos, mas debaixo dele se localiza o maior corpo de magma ativo conhecido, da crosta continental da Terra. Brrr… já pensou se ele acordar de mau-humor?


Campos de Caçada


A Flauta Condor são os Campos de Caçada, o nome que eu designei para a região do El Chaco.

O nome de El Chaco vem do quíchua, “chaku“, que especifica um “território de caça” – daí o nome que aparece no livro. Seu território se espalha sobre partes da Bolívia, Argentina, Paraguai e Brasil, formando um imenso coração geografico para o continente. Ali existem vários ecossistemas: pampas, florestas e, inclusive, um sistema semi-árido. Eu optei por “intesificar” o deserto dos Campos de Caçada, no livro, porque logo percebi, pelo andamento que estava dando à narrativa, que aquele seria o primeiro deserto que Pelume enfrentaria em seu caminho.



Cataratas do Iguaçu


As Cataratas do Iguaçu, ao lado da Niagara Falls, na divisa entre os EUA e o Canadá, e das Cataratas Vitória, na África, faz parte do seleto grupo das três maiores quedas d’água do mundo. Na verdade, ela não é uma, mas um conjunto de 275 quedas de água de até 84 metros de altura, incluindo a famosa Garganta do Diabo, com 82 metros de altura e nada menos do que 150 metros de largura! É uma vez e meia a distância de um atleta corre nas Olimpíadas, na prova dos 100 metros rasos.

A quantidade que o rio lança nas quedas d’água, é de aproximadamente 1.746 m³ por segundo. Tudo isso despenca sobre o degrau de basalto, e se você não consegue imaginar o que é isso, dê só uma olhadinha na foto ao lado. E pense que essa água toda “come” 3 cm por ano, no imenso degrau que forma as quedas d’água. É muita pedra dura para ser levada por água mole!

As cachoeiras foram vistas por um europeu pela primeira vez em 31 de janeiro de 1542, por um sujeito chamado Álvar Nuñez Cabeza de Vaca (sim, esse é o nome verdadeiro do personagem histórico), o andarilho das Américas, um dos maiores aventureiros da história mundial.

Além disso, as Cataratas do Iguaçu se localizam na divisa entre o Brasil e a Argentina e cada um desses países criou um parque natural para preservá-las. Os dois parques e as quedas d’água são considerados Patrimônio Natural da Humanidade. Ou seja: é meu, é seu, é de todo e qualquer ser humano que já pisou neste planeta.

“Iguaçu”, em tupi, significava exatamente “água grande” (de “i” ou “y“, água, e “guaçu“, grande). A lenda que o Curupira conta para os Três do Sul, sobre Naipi e Tarobá, os dois índios enfeitiçados pelo deus do rio, é a mais tradicional das que se conta sobre o surgimento das cachoeiras.

Paraná-Itajutinga



Do tupi “paraná“, que significa “mar“, e “itajutinga“, a “pedra branca”, a “prata”. Foi juntando essas duas palavras que criei um nome para o estuário do Rio da Prata, onde os rios Uruguai e Paraná desembocam. Trata-se do maior estuário do mundo, que em seu ponto mais largo tem 219 km separando as duas margens, com a cidade de Punta del Leste, na margem uruguaia, e Punta Rasa, no lado argentino. É água que não acaba mais.

O europeu que revelou o Rio da Prata para os mapas europeus foi o navegador português João de Lisboa, em 1514. Dois anos depois, foi a vez de João Dias de Solis, outro português se aventurar pelas águas barrentas do estuário. Em 1525 foi Sebastião Caboto quem chegou lá (aquele que em 1527 iria explorar a Patagônia, e cujos soldados voltariam, um dia, falando sobre a cidade de Elelín, lembra? Veja verbete “Elelín” mais abaixo). Como quase todos os espanhóis que desbravavam a América naquela época, Caboto estava procurando por prata. Mais especificamente, ele procurava pela lendária Sierra de Plata e graças à essas lendas que falavam em minas inesgotáveis de minérios preciosos, ele e outros tantos homens terminaram por fazer longas travessias, reconhecendo o vasto território que Cristóvão Colombo, pouco mais de 30 anos antes, tinha achado que era apenas uma ilha.

Foi graças à esse rio, e à ambição dos espanhóis, que a Argentina acabou recebendo esse belo nome: Argentina vem da palavra argentum: que significa “prata”, em latim



Colônia do Sacramento


Já a casa de Nimbó, não é, exatamente, imaginária: a Colônia do Sacramento é um forte construído em 1680, por D. Manuel Lobo e existe até hoje.

O local para a construção foi pura provocação dos portugueses: ele fica em frente à Buenos Aires, do outro lado do Rio da Prata, o grande estuário dos rios Paraná e Uruguai.

A existência do forte, e a permanência de soldados portugueses ali, foi uma pedra no sapato da coroa espanhola durante anos, até que em 1750. Era tão incômodo, que neste ano foi assinado o Tratado de Madrid, através do qual as coroas de Espanha e Portugal intercambiaram territórios: os portugueses entregariam a Colônia do Santíssimo Sacramento (seu nome oficial na época), e em troca, receberiam dos espanhóis a região das Missões, com tudo o que havia nela. Um enclave estratégico, como se pode perceber, é algo realmente precioso.

Hoje, Colônia do Sacramento é uma linda cidade turística que preserva seu patrimônio histórico como o verdadeiro tesouro que é. Você pode, não penas visitá-la, como passar uma temporada por lá, imaginando como eram as refregas entre espanhóis e portugueses. Ou se preferir, pode procurar por Nimbó. Vai que vocês consigam tomar un mate, juntos?


Elelín


A primeira parada de Pelume no Velho Norte, é a casa de Misqui: Elelín, a Cidade dos Césares. Este é um dos lugares mágicos da Patagonia, procurado, ao longo dos séculos, pelos viajantes e conquistadores espanhóis. Dizia-se que era abundante em ouro e diamantes, e tão grande que, para cruzá-le de um lado a outro, era preciso andar durante dois dias. Estava construída em um misterioso lago, rodeada de muralhas e fossos.

Alguns folcloristas apontam o cerro de Lihuel Calel, como o lugar onde a cidade estaria eregida, mas nunca foi encontrado nada. Dizia-se que só era possível vê-la na Sexta-feira Santa.

A primeira notícia que se tem desse relato, data de 1528, quando o capitão  Francisco César e outros quatorze homens, partiram do forte Santi Spiritus, fundado por Sebastião Caboto, em 1527. O capitão dividiu seus homens em três grupos e os enviou a diferentes direções, unindo-se ao grupo que seguia na direção do oeste. Dos três grupos, apenas o do capitão voltou ao forte, três meses depois, relatando que haviam encontrado uma cidade riquíssima, habitada por homens altos, barbados, louros e de olhos azuis que usavam armas de prata. Calcula-se que estes exploradores caminharam, ao longo desses 90 dias, entre 1.400 ou 1.700 km!

Se você encontrar Elelín, não deixe de nos mandar muitas fotos! E aproveite bastante: dizem que ao entrar na cidade, o viajante fica tão fascinado por toda a beleza que vê, que esquece de imediato o caminho que o levou até lá. Desse modo, se ele algum dia sair da Cidade dos Césares nunca mais lembrará o caminho para voltar à ela.


A Caverna Mais Alta do Mundo

Como você sabe, a Caverna Mais Alta do Mundo é o lar Os do Fogo, e o o ponto de partida de Pelume para a sua grande aventura. Mas… onde fica, afinal de contas, a Caverna Mais Alta do Mundo?

Se fôssemos localizar a caverna em um mapa do mundo real, ela ficaria lá na ponta mais ao Sul da América, na última das ilhas da Terra do Fogo. O território é um grande arquipélago, dividido pelo Chile e pela Argentina. A capital da região, no território chileno, é Punta Arenas. A da região argentina é Ushuaia, a cidade mais ao Sul e todo o mundo.

O ponto mais alto da Terra do Fogo é Mount Darwin, com 2.488 metros – daí que a gente já vai duvidando que a Caverna Mais Alta do Mundo seja, de fato, a mais alta de todas… na verdade, ela é a mais alta do mundo que  Os do Fogo, conhecem que só o mundo ao seu redor. Também não é verdade que na Terra do Fogo a noite fechada dure um inverno inteiro. Mas seus verões são curtos e seus invernos bastante longo, com temperaturas médias de 4,7ºC ao longo do… ano inteiro!

A Terra do Fogo ganhou esse nome graças ao navegador Fernão de Magalhães, que também deu seu nome ao Estreito de Magalhães. Em 1520, ele e sua tripulação se tornaram os primeiros europeus a vislumbrarem as ilhas. Dizem que os europeus viam fogueiras no alto dos paredões rochosos, e achavam que os índios estavam se preparando para emboscá-los. Na verdade, o que eles viam eram as fogueiras dos yaghan, os primeiros habitantes da Terra do Fogo, que chegaram lá há mais ou menos 10.000 anos atrás, instalando-se principalmente na Ilha de Navarino (uma das ilhas chilenas do arquipélago). Mas eles não eram os únicos. Também haviam os selk’nam e outros povos. Contudo, foi em um desenho feito a partir da observação que crei o personagem de Pelume e todos os de sua tribo. Os yaghans chamavam a atenção por muitas coisas mas, sobretudo, por enfrentar as baixíssimas temperaturas do lugar com pouca ou nenhuma vestimenta. Eles se reuniam em torno das grandes fogueiras, que foram avistadas por Fernão de Magalhães, e utilizavam as formações rochosas para se abrigar do clima.Também se cobriam de gordura animal para ajudar a manter a temperatura corporal, e com o passar do tempo, seus corpos se adaptaram: o povo ficou cada vez mais alto e grande, o que também ajuda a manter a temperatura. E uma curiosidade: dormiam agachados, o que diminuia a área do corpo exposta à perda de calor. Viajavam em canoas, caçavam focas e mariscos. Hoje, acredita-se vivam pouco menos de 1.700 yaghan no Chile.

O mundo de Pelume, é uma América imaginária, onde cabe todo o extraordinário da nossa imaginação. Assim, quando você ler a história do menino da Caverna Mais Alta do Mundo, lembre disso: o mundo que conhecemos é o mundo que nos pertence. O demais é território do Desconhecido. Um território fantástico, onde tudo pode acontecer.

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