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sol pampa

A segunda história que Pelume ouve em sua jornada em busca de sua própria história de como surgiu o Sol, é a versão guarani de como nasceu o Universo.

A versão que pesquisei é uma versão aproximada da cosmogonia mbya, recolhida e traduzida por León Coadogan, e foi publicada no México, em 1970, sob o nome de “Poesía Guarani“. Resumidamente, ela conta o seguinte:

Ñande Ru (ou Nhanderu), o Criador, primeiro criou a si mesmo em meio as trevas primordiais, onde sopravam os ventos. Ele não apenas se cria, mas evolui com sua criação: primeiro as plantas, de onde aparecem alguns pássaros, depois as estações do ano. Seguem-lhe chamas e a neblina; depois os fundamentos da linguagem humana. Em seguida, vem o amor.A seguir, o canto sagrado. E então ele cria quatro deuses que o auxiliarão na tarefa da Criação.

Só depois de criar tudo isso, com a ajuda destes deuses, ele cria a Terra com tudo o que há nela, animais, vegetais, pessoas.

Em seu processo de criação, ele também cria princípios femininos que são a contrapartidada dos quatro deuses. Uma dela, Ñandecy, dá à luz à dois gêmeos que se tonarão o Sol e a Lua. Nesta versão do mito, o Sol e a Lua terminam formando um casal.

 

Mas a história que Pelume ouve é contada desde o ponto de vista dos apopocuva, que é outro povo guarani. Nesta versão do mito, Nhanderiquei, o gêmeo primeiro, tem um irmão chamado Tyvyry. Ambos têm a mesma mãe, mas não compartem o mesmo pai. Assim, Nhanderiquei, que é a expressão de seu pai, Nhanderu, termina dando origem ao Sol, enquanto Tyvyry, filho de Nhanderu-Mbaekurá, habita a noite. O primeiro tem como corte os animais diurnos e o segundo, as criaturas noturnas e as peçonhentas. Foi Tyvyry que deu origem à magia.

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